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Dj Deró

Outro dia foi aniversário do amigo Binho. Foi sediado no nosso terraço. Praticamente tudo foi organizado e providenciado pelo aniversariante e sua companheira Leila. Evento excelente, pela primeira vez tivemos eletricidade no terraço (o Binho providenciou uma longa extensão pra puxar a luz de casa), o que permitiu música e luz. Consequentemente, a função foi até passadas da 1 da matina, tendo como ponto alto a minha seleção musical de músicas de reunião dançante, que levou a galera ao delírio. Singalongs fatais para Bon Jovi e coreografias para “Let A Boy Cry” da Gala foram os destaques.

Feliz aniversário, Binho!

Curiosidade: a Leila cresceu a vida inteira na Portugal, a menos de 500 metros da minha casa da Luzitana, frequentava a Sogipa e tudo, e nenhum de nós lembramos de ter cruzado um com o outro na vida antes de Barcelona. Boa guria, porém!

Visca Molins!

Meu colega de trabalho Joan joga futebol no que deve ser a quinta divisão da Espanha, no time do povo ao lado do dele, Molins del Rei. A Chi tinha ido para NYC e eu estava sozinho durante o fim de semana, por isso resolvi ir até Molins conferir o jogo do time dele, sobre o qual falamos bastante. Era um jogo importante, a temporada vem chegando ao seu final e seu time estava empatada com esse, concorrendo à promoção para a divisão acima. No jogo de ida, Molins ganhou fora de casa, o que gerou uma certa confusão, na qual Joan tomou uma porrada na cara. Isso apenas adicionava mais um tempero à partida.

Detalhe: aparentemente, 90% equipes pequenas da Catalunya têm uniforme vermelho e amarelo (cores da bandeira) e o uniforme reserva é preto.

Acabei chegando um pouquinho atrasado e me senti num dos poucos lugares disponíveis, fui descobrir ao final do primeiro tempo que sentei-me ao lado da mãe do Joan. Havia bom público. Quando cheguei, estava procurando o cabeça no campo, sabia que jogava de volante, mas não encontrei. Justo, pois estava sentado ao banco, de cara por não jogar justo no dia em que vários familiares e amigos foram vê-lo.

Joan é o camisa 6 das fotos.

Resultado: o canhoto camisa 8 foi o craque da partida com um bom gol de fora da área, Molins ganhou por 3 a 1 e joan conseguiu jogar uns 20 minutos no final, suficiente para cair e machucar a paleta. O importante é que ganhou! Dale Molins.

You just couldn’t let me go, could you?

Pois umas fotos que estava devendo fazia muito tempo, as fotos do dia em que voltei a me fantasiar de Coringa. Era uma competição de fantasias no Carnaval, aqui no trabalho. Ganhei um prêmio como fantasia individual mais espetacular (a maioria das pessoas concorria em grupos).

A primeira leva foi fotografada pelo meu colega de estúdio Joan Gosa, a segunda, onde aparecem alguns dos outros concorrentes, pelo colega de outro estúdio, Ivy Llamas e a terceira fui eu mesmo, quando cheguei em casa, depois de uma volta de bicicleta por aí assustando todo mundo.

Maquiagem feita por mim e roupas emprestadas cada peça de um colega. A maquiagem, acho que a de Sydney ficou melhor. A roupa achei melhor dessa vez.

Traum

E pra fechar, explorando uma parte mais urbana mesmo, tomamos um café, encontramos duas Ferraris lindas, uma old school, uma moderna, com pintura fosca. E acabou Munich!

Até a próxima viagem.

Englisch Garten

E aí uma entrada mais a fundo nos Jardins Ingleses de Munique. Um dos parques mais bonitos que eu já vi dentro de uma cidade. É ENORME, quase o dobro do tamanho do Central Park (1400 acres, contra 840).

Deu pra relaxar.

Regen

Quem disse que não dá pra achar umas fotos legais num dia de chuva? O passeio incluiu visita à Hofbräuhaus, uma das cervejarias mais antigas e tradicionais da Alemanha. De fato, é administrada pelo estado da Bavária. Bom lugar, que tem o compromisso de vender uma das cervejas mais baratas da cidade.

Surfing Eisbach

Duas particularidades de Munich nesse post.

1.No Englischer Garten, há um rio. Nesse rio, dezenas de caras se reúnem para surfar. E outras dezenas de turistas ficam olhando e batendo fotos. Parece divertido. Há muitos vídeos feitos no youtube sobre isso, é só procurar. Uma hora edito o meu.

2.No hotel, na hora do check-in, te pedem para assinar um documento autorizando a cobrança de 1500 euros no teu cartão, caso tu faça soar o alarme de incêndio e venham os bombeiros. Achei isso uma merda, já que escolhemos esse hotel, um pouco mais caro, por ter cozinha. Na primeira noite, preocupados, acabamos comendo num restaurante (excelente vegetariano chamado Vegelangelo).

Na segunda, acabamos comprando uns ingredientes nos bons mercados de Munich e decidimos cozinhar. Antes disso, assistindo um filme, se escuta a sirene de ambulâncias e bombeiros. NOVE caminhões de bombeiros, TRÊS ambulâncias estacionam na rua. Todos hóspedes metem a cabeça para fora num misto de alívio e risadas, pois já sabiam o drama que passaria a pessoa que fez soar o alarme. desci para o lobby para ver o que era e aparece o infeliz. Fiquei assistindo a discussão dele
com o gerente do hotel, que o desafiou a trazer o pão torrado para mostrar que a culpa tinha sido dele. Aparentemente, o gerente entrou no quarto do hotel e o cara estava no banheiro enquanto um pedaço preto de pão queimava no micro que estava em modo grill, à máxima potência.

Dizem os gerentes que foi a primeira vez que acontece isso de fato, nesse ano. E que eles criaram essa regra por causa de gente que coloca velas e incensos nos quartos, ativando o alarme (leia-se: árabes, que são a maioria do bairro).

Duck Ellington

Gostei de Munich, parece uma boa cidade para morar. Mistura a parte boa de Londres com algo de Amsterdam e Berlin.

Bavaria!

Chegar a uma cidade grande depois de estar 4 dias entre lagos, rios e montanhas (e silêncio), é uma experiência chocante. Simplesmente, não parece natural que nos empilhemos em prédios e ruas barulhentas, poluídas, como estilo de vida. Mas enfim, segue a vida e fica mais forte essa ideia de um dia viver em um lugar mais bucólico.

Na real, Munich é uma cidade que nem vale como exemplo forte do que estou dizendo. Até por que a rua feia da cidade, onde ficava nosso (bom) hotel eu não fotografei.

Achensee

Algumas belezas da vida são difíceis de transferir para fotografia, como uma bela lua, um passeio de snowboard. Outras coisas, muitas vezes, são ainda mais bonitas através da foto. Acho que esse lugar se encaixa no segundo caso. Quando se está lá, é bonito, sim, mas é ainda mais bonito olhar as fotos depois. Acho que na hora a gente fica meio em choque com a paisagem a não consegue parar para pensar no quão belo o lugar onde tu estás realmente é.

Mesmo assim, acho que não precisávamos ter dormido duas noites nesse lugar, esse passeio foi suficiente, até por que não tinha muitos lugares para comer, tudo fechava cedo, havia pouca gente. E ainda tendo a questão de não estar comendo carne, nossas opções eram pouquíssimas.

E é claro que a cerveja austríaca é muito boa, mas eu gosto mesmo é de cerveja gelada. ;)

In the meadow we can build a snowman

Uma saída pela neve, em direção ao lago.

Österreich

E seguimos viagem. Acima de Bolzano (BOZEN), todas placas da estrada até chegar na Áustria apresentam nomes em italiano e alemão. Muitas partes da zona do Tirol fizeram parte da Áustria em algum momento da história. Mas é só entrar no país de Arnie, Hitler e Strauss que o italiano some. E, do nada, se vê traços de neve.

Me haviam trovado que de Marcena à Áustria dava umas 3 horas. Demoramos SEIS. Acho que acabamos pegando alguma “rota romântica”, por que pelo menos só pagamos um pedágio.

Chegando perto da cidadezinha onde ficaríamos, uma estradinha sinuosa começa a subir a montanha e os traços de neve começam a ficar mais fortes. Chegando lá: surpresa, realmente estava nevando de noite. Não estávamos preparados para neve, mas tudo bem. Foi um pouco dramático encontrar a pousada no escuro, na neve, mas conseguimos, pelas 23:30 da noite. O lugar era bem bonito. E é por isso que fomos até Achensee.

Albero Famiglia Fanti

Terminando a viagem às raízes Fanti, me pilhei em redesenhar a árvore genealógica da família. Deu trabalho, HORAS de digitação e correções, mas acho que cheguei a um resultado legal.

Com ajuda de muita gente, especialmente a minhas tias Graziela e Silvana, conseguimos completar muita coisa que estava faltando na árvore que eu levei para Itália, que foi baseada em parte nesse rascunho de árvore genealógica enviado com muito boa vontade pelo único dos 9 tios do meu vô que ainda vive (se não me engano), o tio Octávio. Faltava bastante gente, faltavam muitas datas. Ainda tem bastante coisa faltando, mas agora se entende muito melhor a que geração cada um pertence. E tive a oportunidade de adicionar pela primeira vez a minha sobrinha Luiza, primeira folhinha do novo galho que será a próxima geração.

Agora estou na espera de um email do Lorenzo, o primo que eu encontrei em Marcena, para completar a parte que vem do vô dele, Albino e chega até os filhos dele, Martino e Marina.

Enquanto isso, confiram como está a situação no momento:

É uma viagem essa árvore, só há nomes, números, descendências. Seria demais ter informações como profissões, locais de nascimento e óbito (e causa mortis, também).

Alguns fatos curiosos, com as informações disponíveis:

-Na minha LINHAGEM, acho que ninguém nasceu e morreu no mesmo lugar.
-Apenas um casal é formado por mulher mais velha que homem. A maioria tem o homem entre 4 e 10 anos mais velho que a mulher.
-A cada 10 crianças nascidas, 6 são homens.
-Entre os filhos de Simone Fanti II, aparentemente há dois casos de casamento entre dois pares de irmãos (ou talvez primos), os Fedrigoni e os Eccher.

Certamente tem muita coisa errada ali e estará sendo, para sempre, atualizada e corrigida.

Fita para Luiza

Aí uma mixtape feita especialmente para a minha recém-nascida sobrinha Luiza. Calminha, para não assustá-la.

Marcena Pt. 4 – Saindo

Pra fechar, caminhamos um pouco pela cidadezinha, exploramos e encontramos um restaurante que ainda estava servindo almoço, mesmo sendo 4 da tarde. De fora, parecia que não havia uma alma viva. Entrando, mesas longas de famílias terminando o almoço de Páscoa. Sentamos e todos nos olhavam curiosos. Comemos uma boa massa e partimos.

Olha, a miséria devia ser muita mesmo para largarem um lugar tão bonito, deslocar-se até o porto de Gênova, passar 1 mês num navio, para, sobrevivendo, tentar a vida na incógnita que era o Brasil. Ou as histórias dos primeiros que foram para a América eram boas demais. Para todos os descendentes de italianos, recomendo fortemente a leitura de todo esse documento do Wikipedia, que explica em detalhes a imigração, os problemas que ocorreram com a viagem e com a adaptação, o idioma, a integração com os que já viviam no Brasil, sejam escravos, portugueses, alemães ou outros povos. Muito interessante a leitura, me surpreende eu não ter esbarrado com essa página antes, mas cada coisa tem seu tempo.

PS: Essa foi a casa onde nasceu Simone Fanti, irmão mais novo do meu tatataravô (sei lá) Nicoló.

Marcena Pt. 3 – Chiesa San Paolo

Quando voltamos do cemitério, tinha acordado o Sr. Vittorio Fanti, filho do Albino, pai do Lorenzo, vô do Martino. Regula em idade com meu falecido vô Honorato. Seu pai passou um tempo na França, perto de St. Etienne, e foi aí que ele nasceu, por isso até o italiano ele ainda fala com um sotaque francês. Consegui algumas fotos legais dele e da esposa, Viola.

Ele contou que na época da miséria na Europa, no século 19, muitos migraram para Canadá, Argentina, Estados Unidos, incluindo gente da nossa família. Parece que os que foram pra Argentina e Brasil foram os que não voltaram, mais por que não conseguiram (por dívidas resultantes de pagamento pelo viagem ou pela distância) do que por vontade própria.

Mas foi legal ter voltado ali como um mensageiro, contando que ao menos alguma parte da família do Nicoló Fanti que viajou com esposa Catarina provavelemente em um dos navios a vapor que saíram em 1877 conseguiram encontrar o que buscavam, que era algo além da miséria de batatas, polenta e arroz que havia na Europa falida do século XIX.

Tanto que, cento e dez anos depois dessa data, meu vô era fundador de uma Transportadora de boa importância na região Sul do Brasil, chegando a ter mais de 300 caminhões. Para quem não tinha nada e começou a vida como um caminhoneiro adolescente que arranjou uma carteira de motorista especial para poder dirigir e se sustentar, era uma conquista bastante notável.

Logo nos despedimos e subimos para conhecer a igreja local, daonde saíram os documentos que eu tinha.

Marcena Pt. 2 – Cemitério um pouco familiar

O Lorenzo me falou do cemitério de Marcena, que fica exatamente nos fundos da casa dele. Saímos para conferir. Já olhando de cima se percebia que havia muitas covas com nome Fanti, incluindo a maior capela, que lia Fanti – Gidoni. E de fato, uns 20% das tumbas tinham meu sobrenome em cima, com centenas de nomes. Mas a que realmente importa, a da família do Lorenzo, era essa, que inclui o avô dele, Albino, que está num dos galhos da minha árvore.

Marcena Pt. 1 – Chegada

Então chegamos ao ponto no mapa que apontava Marcena, Comune di Rumo, ainda parte de Trento. Como toda região, um belíssimo lugar, cercado de montanhas com neve no topo.

A caminho de Marcena, eu vinha falando “Ah, pode ser que a gente encontre alguém, mas é mais provável que visitemos a cidade e pronto, tá visto, sem drama”. Segundo o Wikipedia, a Comune di Rumo está a quase mil metros de altitude e tem 857 habitantes espalhados pelos seus 30km quadrados. Minha esperança de encontrar parentes de verdade era pouca.

Paramos na placa na entrada da cidade que descrevia todos os estabelecimentos comerciais da vila. Fui procurando atentamente até achar: Alimentari Fanti. Aí o coração começou a bater mais forte.

Logo entramos mais, avistamos a tal igreja San Paolo, que estava como local de registro do nascimento dos antepassados, em documento assinado por Parroco Don Dario Cologna, depois reconhecido como um bom padre da comunidade, que estava sempre respondendo cartas vindas do mundo inteiro de gente em busca de raízes.

Bom, exatamente na frente da igreja não tinha lugar para estacionar, então descemos um pouquinho e estacionamos na frente de uma casa onde se via a única pessoa na rua naquele domingo de Páscoa. Depois de tirar a foto com a igreja ao fundo, observei o campo de futebol, fui perguntar se aquele homem sabia onde ficava o tal “Alimentari Fanti”, que devia ser um mercado.

Ele disse que não tinha certeza, mas que ali naquela vila havia muitos Fanti, que ele mesmo era um Fanti. Eu não levei a sério o que ele falou, até ele repetir umas duas vezes. Então mostrei pra ele a árvore genealógica da família, na qual ele localizou o nome do NONO dele, Albino Fanti. Ou seja, esse cara com quem eu estava falando, Lorenzo Fanti, seria como um primo distante, da mesma geração do meu vô, porém muitos anos mais novo. E os filhos dele, Martino e Marina, seriam meus tios pequenos.

E aí surgiu a certeza de que éramos, sim, parentes, mesmo que distantes. Muitas vezes nem damos tanta importância para parentes que não são diretos. Mas numa situação dessas, um parente distante é como se fosse um tio que tu nunca conheceu.

E aí apareceu a mãe dele na janela, convidaram para entrar, comemos um delicioso tiramisu e tomamos um café, conversando sem parar (numa digna tentativa de italiano, ajudado por português, espanhol, alemão e talian). Se fosse cena de um filme, diriam que faltou drama, que foi fácil demais.

Amanhã segue a história.

Andiamo a Rumo

Saindo do hotel pela manhã, o próximo destino era a vila de Achensee, na Áustria, onde tínhamos reservado quarto em uma pousada perto do lago Achensee. Antes disso, porém, havia a possibilidade de um desvio leve de percurso para conhecer a cidade daonde vieram meus antepassados, Marcena, na Comune di Rumo. Decidimos fazer dessa possibilidade a missão do dia. Cenas do próximo post, que é o mais importante da viagem toda.

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