Ligamentos

Depois de vinte anos jogando futebol pelo menos uma vez por semana (em Barcelona pelo menos sete vezes por mês), consegui me machucar o suficiente para não pode caminhar, muito menos jogar futebol. Na semana anterior à lesão, fiz exercícios como nunca. A irmã, duas primas e uma amiga da Chi estavam ali em casa e eu acabei indo ficar na casa do Francisco por três, já que ele estava viajando e também precisava de alguém para cuidar da Salsinha (sua gata). Como estava meio descompromissado com a patroa, acabei jogando futebol quatro vezes na semana, sendo que em dois desses dias andei de bicicleta por mais de 20km para ir e voltar dos campos de futebol. Enfim, estava em chamas, nunca estive melhor fisicamente.

Na terça-feira dessa semana pegada, porém, fui jogar futebol em um campo de parquê perfeito, lá em cima do Monte Tibidabo. Além de ser grátis, jogaram alguns caras bem bons, foi um futebol mais legal do que o normal. O único porém foi que eu tomei uma pancada na canela de um cara do meu próprio time, voei no ar e caí com todo peso sobre o lado direito do meu corpo. Fiquei uma semana com nádega, músculos da perna e cotovelo doloridos. Mas isso não foi problema, joguei futebol igual nos dias seguintes. O ruim mesmo foi uma semana depois, no mesmo lugar, com os mesmos caras.

Já passava de uma hora e meia de jogo quando roubei a bola de um cara que até é bem bom jogador. Ele era último homem e tentou me driblar, eu roubei a bola e ia ficar na cara do gol. Rapidamente, o cara não admitiu a perda de bola que seria crucial para uma possível reação no nosso time, que vinha perdendo por dois gols de diferença, e me enfiou o pé entre as pernas e a bola, fazendo com que eu torcesse o pé esquerdo pra dentro, colocando todo o peso do corpo naquele tornozelo virado. Um daqueles momentos que acontecem muito rápido, mas que acontecem em câmera lenta dentro da nossa cabeça: o pé virando, os ligamentos esticando até o máximo, o barulho dos ossos estalando. Como ainda estava quente, não senti muita dor, até continuei jogando um pouco, de goleiro. Mas não deu cinco minutos e um par de passes leves para eu me dar conta de que a coisa era mais séria e de que eu teria que, afinal, parar de jogar.

Abandonei a quadra, andei ainda um quilômetro lomba abaixo, mancando, até chegar na minha bicicleta e pedalei com uma perna só, a outra só apoiando, 9,5 km até minha casa. Cheguei em casa, fiz gelo, tomei banho, um dorflex e fui dormir.

Quando acordei no dia seguinte, não conseguia tocar o pé no chão, o inchaço finalmente tinha tomado conta. Fui fazer aquele xixi matinal, sentei no vaso e de repente me de baixou a pressão, deu teto preto e eu caí pro lado, no banheiro. Bati a cabeça no chão e tive convulsões. O engraçado é que não fiquei totalmente inconsciente, sentia que estava me debatendo, ouvia o barulho, mas não conseguia me controlar. Não durou muito, consegui levantar e fazer o tal xixi. Entrei no box e fiquei tomando água gelada na cabeça até sentir-me melhor. Pronto.

Peguei um ônibus, fui até o médico em um pé só e no fim o diagnóstico não era tão ruim assim: uns quatro dias até conseguir caminhar de novo. Exatamente quantos dias faltavam para começarem minhas férias. Perdi três dias de trabalho. Depois de bastante gelo, pé pra cima, anti-inflamatório pesado, repouso e duas temporadas de séries de TV assistidas, vi que a estimativa da médica, bastante jovem, foi perfeita. Acabei nem levando as muletas para a viagem.

Sobre as séries de TV:

1.Recomendo MUITO o seriado Louie, escrito e dirigido pelo comediante mais conhecido pelo seu número de stand up Louis CK. Genial. Vale bastante a pena ver cada um dos 13 episódios que abordam algo um pouco autobiográfico da vida de um comediante de 42 anos, divorciado, com duas filhas. Torrent pra primeira temporada aqui.

2.Parks & Recreation – Esperava mais desse programa. Tem dois personagens bons: o Aziz Ansari, apenas por ser ele, e o cara que tem as duas pernas quebradas.

Faltou luz mas era dia

Quando o amigo Conan veio visitar Barcelona, ele me disse que a primeira coisa que notou quando entrou na minha casa é que a gente não tinha uma televisão. Bom, isso acaba de mudar. Depois de um ano inteiro sem assistir TV (fora Copa do Mundo e alguns jogos na casa de amigos), aproveitamos uma oferta de 25% de desconto da Pc City (que está fechando suas portas na Espanha) e adquirimos, online, uma TV de LCD Panasonic Viera de 32″. Com entrega em casa, saiu por 325 euros, o que eu considerei um valor imbatível. Depois de executar a compra, entrei de volta no site para ler melhor as especificações e não havia mais a televisão. Demos sorte, era exatamente o último modelo.

Quatro dias depois, a televisão chegou. A princípio, eu tinha pensado na TV apenas para assistir filmes e seriados em formato digital. A televisão, apesar de maior, acaba melhorando muito arquivos da internet. Um episódio de The Office, que tem 175 mega para 22 minutos, aparece na tela da TV com qualidade melhor do que qualquer canal que não seja HD. Bom, passeando pelas lojas de eletrônicos, eu tinha algumas alternativas de conexões:

1.Um aparelho de DVD que tivesse entrada USB para poder tocar os arquivos do computador. Isso sairia por uns 60 euros.

2.Comprar um cabo adaptador da Apple e um cabo de HDMI. Sairia por 43 euros e permitiria tocar qualquer coisa que aparece na tela do computador, incluindo jogos do Grêmio e todos filmes com legendas, como funcionam no computador.

3.Comprar uma torre de disco duro multimídia, que é conectada diretamente à televisão e tocar tudo que é tipo de arquivo digital. A opção mais cara e mais limitada sairia por uns 90 euros, no mínimo.

No fim, julgando que um aparelho de DVD não serve para muita coisa hoje em dia, acabamos comprando, por 39,90, um diminuto aparelho de TDT que tem entrada USB que lê a maioria dos arquivos de vídeo (com possibilidade de legenda), foto e música. E ainda tem saída HDMI, que eu queria bastante. Além dos 39,90, gastamos ainda 14 euros num cabo HDMI e 8 em um cabo normal de RF e, voilá, de repente, de adultos descolados que podiam dizer “Não tenho TV em casa e não me faz falta”, passamos a ter uma movimentada salinha de TV onde passaremos a, com certeza, ver muito mais filmes e também bastante esportes ao vivo, que era a coisa que mais me fazia falta. Caso eu ainda sinta falta de ligar o computador, é só comprar o cabo da Apple de 30 euros e ligar no HDMI.

Ontem, descobri que a TV aberta espanhola é tão interessante quando a NET de Porto Alegre. Tem uns 80 canais, os principais todos têm lindas transmissões em HD, vários dos canais de filmes têm tecla SAP e pode-se colocar legendas (em espanhol), o que é interessante pra Chi estudar o idioma, algo que ela vem tentando. Para estrear a TV, assisti ao bom jogo do Thomaz Bellucci contra o Djokovic, em HD (lindo). Com meus intensos treinos de ping pong no intervalo trabalho, é ainda mais legal apreciar uma boa partida de tênis. O brasileiro teve um momento em que parecia que estava garantido nas finais contra o Nadal: já tendo ganho primeiro set por 6 a 4, quebrou o saque do sérvio e ia levando o segundo set por 3 a 1. Aí, de repente, o Djokovic engatou uma seqüência avassaladora, quebrando totalmente a confiança do guri e não parou mais. Fechou o segundo set em 6 a 4 e o terceiro em 6 a 1, para decepção do bigode do Larri Passos. Um resultado que acabou sendo decepcionante , mas mostrou a força do canhoto brazuca, que hoje amanheceu em vigésimo segundo no ranking mundial (antes era o #33). Acompanharei mais esse tal de Thomaz Bellucci.

Na seqüência, rolou o jogo do Real Madrid, que acompanhei de canto, mas que realmente não me interessava tanto (já que não estava jogando contra o Barcelona). Boa vitória, porém, com gol de Kaká e 4 do agora artilheiro do espanhol Cristiano Ronaldo. Adiou o título do Barça.

Já para estrear as sessões cinematográficas, baixei a animação L’illusioniste, que concorreu ao Oscar de melhor animação. Belíssimos gráficos, especialmente no que diz respeito aos cenários, mostrando Paris, Dover, Londres, alguma cidade no interior da Escócia e Edinburgh. O filme em si tem um ritmo bastante lento, se comparado às animações de hoje em dia, mas é um alívio ver algo com cores tão sutis e reais, em 2D, praticamente um filme mudo, também. Classudo. Nota 9.0

Para alimentar o USB, conectei um velho HD externo de 110 Giga que eu tinha vazio no armário e voilá: é só encher de filmes e seriados e temos entretenimento instantâneo para todo o sempre. E, nesse mesmo HD externo, se conectado, posso gravar qualquer programa que esteja passando na TV. Ocupa 2GB por hora.

Também precisamos mudar bastante a geografia da casa. Agora, nosso quarto contém também o guarda-roupa, algo que não entendo por que não fizemos antes. Ficou mais com cara de quarto. Já a salinha que fica do lado do banheiro ganhou a TV, o que torna o ambiente mais útil e bem aproveitado. Tá com mais cara de casa. Só sobra menos espaço para os visitantes, quando vêm dormir, vão estar no sofá cama que usamos para assistir TV. Menos espaço para deixar malas, também, ou seja: quem vier visitar, não pode trazer muita bagagem. 😉

Sexy swindler

No início do mês, aproveitando meus últimos dias de vagabundagem, andei assistindo freneticamente a um programa da BBC chamado The Real Hustle, recomendado pelo meu vizinho romeno. Ele me passou as três primeiras temporadas e uma especial, toda filmada em Las Vegas. O programa aplica os mais variados golpes nos desavisados, depois ressarcem os coitados com uma condição: autorizarem o uso das imagens no programa, para que outras pessoas não caiam no mesmo golpe.

Não é o melhor programa do mundo, mas é bem interessante e viciante, especialmente para deixar de fundo enquanto se cozinha, processa umas fotos ou algo assim (pra quem não tem televisão, como eu). Identifiquei ali alguns golpes que já vi na rua, tanto em Londres quanto em Barcelona (ou até no Brasil e na Austrália). O Cagado foi vítima da do laptop, a Bia caiu na do troco errado. Umas duas vezes em Londres fui abordado pelo MENDIGO ARRUMADO, que é um cara de terno que inventa que perdeu toda carteira e não tem como voltar pra cidade dele.

No fim, é uma espécie de Mr. M misturado com Pegadinhas do Faustão.

Agora comecei a assistir à quarta temporada e já começou a ficar repetitivo e apelativo demais, cheia de trocadalhos relacionados a golpes. Mas as três primeiras foram boas. No mínimo, tu vai aprender a ficar bem mais ligado em possíveis golpes e aprender uns truques legais para impressionar os amigos. Uma das partes mais úteis do programa é quando eles mostram alguns truques de bar, do tipo “Quer apostar uma cerveja que eu consigo fazer uma coisa que parece impossível?”

Clique aqui para o torrent da primeira temporada, que tem oito capítulos. Dá pra assistir num dia.

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Nas ruas de Barcelona, já vi uns vários golpistas. Tem o das bonequinhas que dançam com o som, mas o que mais me fascina é uma versão do Monte, mas com três caixas de fósforo e uma bolinha. Parando pra assistir por apenas 5 minutos, tu já saca todo mundo que tá envolvido na gangue, é óbvio demais. Mesmo assim, com a safra nova de milhares de turistas que passam pela Rambla a cada dia, sempre tem alguém pra deixar 50 euros pros caras, se achando esperto demais.

Basicamente, tem uns três caras jogando, eles só ficam trocando dinheiro entre si, nunca alguém verdadeiramenet da platéia ganha. Eles ficam jogando até que um cara se acha esperto demais e diz “Mas é fácil, eu SEMPRE consigo ver onde tá a bolinha”. Aí ele é atraído pra roda e incentivado a jogar. Se ele tiver 50 euros na carteira, tá fudido. A partir do momento em que ele bota esses 50 euros na mão do safado das caixinhas, pode ter certeza de que já era. O cara começa a embaralhar as caixinhas, até que, no momento chave, ele “se distrai” e olha pro lado pra falar com alguém. Nisso um dos caras da sua gangue, fingindo ser platéia e cúmplice do apostador, levanta a caixinha que tem a bolinha embaixo, pro cara ter certeza de onde apostar e achar que sabe mais do que todo mundo. Ele aposta naquela caixinha, o cara levanta e a bolinha não tá mais ali. Embolsa o dinheiro e já era. Se ele ameaça reagir, protestar, os caras dispersam com a desculpa de que a polícia tá vindo. Nesse movimento, um cara passa o dinheiro pro outro, que passa pro outro que tá encostado num poste e já era. Nunca mais.

Outro dia fui tentar explicar o que tava acontecendo para um casal de italianos que viram sua nota de 50 euros ir embora num segundo e fui hostilizado demais pela gangue de golpistas. Uns diziam pra italiana “Não fala com ele, ele tá tentando te assaltar, olha ali”, outra dizia “Não pode andar com Bicing na Rambla”, enquanto o casal ouvia de um outro “É, vai embora se tu não sabe jogar”. E a polícia não tá nem aí, fica rondando mais não prende ninguém. Adoram brincar de polícia e ladrão aqui em Barcelona.

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É por essas e outras que outro dia uma velha negou minha ajuda para carregar uma mala cheia na estação, subindo e descendo escadas diversas. Lamentável.

Baking Bread

Outro dia resolvi fazer pão FOFO, estilo caseiro mesmo. A diferença pro pão d’água: não leva manteiga, mas leva ovo e leite. E alguns dos ingredientes são batidos no liquidificador (arranjei um liquidificador que tá sendo supimpa, especialmente pra fazer uns milkshakes). Bom, aí está o glorioso resultado, meu pão caseiro.

A grande vantagem para o pão d’água é a validade: enquanto o outro durava umas 24 horas, esse vai bem ainda no terceiro dia. Ainda não consegui levar mais de três dias para comer um pão inteiro, então não sei. Digo mais: fica até MELHOR no segundo dia.

A receita que eu segui é mais ou menos essa.

E a trocadalho do título vai em referência ao seriado Breaking Bad. Foi uma recomendação múltipla, especialmente do João Lauro e do Antenor. Eles foram tão veementes que resolvi quebrar uma das minhas regras para seriados, que era só assistir a comédias.

O bom das comédias é que não precisam necessariamente seguir uma linha de tempo e cada episódio se sustenta por si próprio. Esse é bem o contrário, apesar de ter seus momentos de comédia. Por causa da história envolvente e muito bem amarrada, vira um vício, não tem como não querer ver o próximo episódio o quanto antes.

Não me pergunte como consegui assistir a 37 horas de um seriado, matando as três temporadas em pouco mais de uma semana. É muito bom e não aguentarei esperar até o ano que vem para saber o que vai acontecer com Mr. White e Jesse Pinkman. Ah, a direção do seriado é muito boa, tem uns detalhes muito legais, muito caprichado o lance. E o cenário de Albuquerque, New Mexico, dá um toque todo especial à série. Outra: os dois atores principais, Bryan Cranston e Aaron Paul, recém levaram Emmy’s, principal e coadjuvante, respectivamente.

Pra fechar, a sinopse: professor de química descobre que tem câncer de pulmão e que lhe restam poucos meses de vida. Chuta o balde, contata um ex-aluno traficante e eles começam a produzir Crystal Meth para levantar uma grana e não deixar a família na mão no caso do óbito. Só que, como alguns sabem, meth é droga de JUNKY TOTAL, então eles começam a se meter com uma GALERA DA PESADA. Enfim, isso é só o começo.

Temporadas 1 e 2, pra quem quiser.

Stan’s Morning Jacket

Não poderia deixar de comentar aqui sobre o episódio de American Dad que fala sobre o My Morning Jacket, mas especificamente sobre a LENDÁRIA figura do Jim James, líder da banda. Uma das coisas mais legais que eu já vi, sendo um fãzote da banda, bem como descrito ali.

Bueno, o fato de um dos caras que eu mais gosto no mundo (Seth McFarlane, a.k.a. Stewie Griffin) fez um desenho sobre O cara que eu mais curto, Jim James. E mandou muito bem, essa parte onde ele tá voando e ouvindo “Touch me I’m Going to Scream pt. 2” ficou genial. Afinal, eu também gosto muito dessa parte e sempre ressalto-a-a-a quando ouço-a-a-a. NICE.

Claro que o episódio foi feito pra mim e eu caí direitinho, mas quem se importa? Muito obrigado. Heh. Minha vida fez mais sentido hoje. Vida longa a esses dois gênios.

PS: mais de 34 pessoas já fizeram o download do meu “Best of MMJ”, faça você também e sinta o que o Stan sentiu ao ouvir pela primeira vez. 😉

PS2: a campainha com “Phone Went West” foi demais pra mim.

McHammershit

Creio que eu tenha arruinado minha fruição do The Office americano depois de ter assistido todo o material do The Office da BBC UK. MUITO superior, apesar de o outro ser uma das melhores coisas que eu já assisti. O problema é que, nessa nova temporada, o americano perdeu um pouco a mão, tá muito exagerado, muito escrachado. Gostava mais quando era mais real, ainda um pouco atrelado ao original.

E, convenhamos, David Brent >>> Michael Scott.

Shipoopi!

Ok, a vida acabou de ficar um pouco mais colorida de novo: a oitava temporada de Family Guy começou. Acabei de assistir ao primeiro episódio e não pude conter o sorrisão no rosto. Desde já um clássico, o episódio mostra Stewie e Brian viajando entre universos paralelos dos mais bizarros, incluindo um universo onde tudo é desenhado por Walt Disney e todo mundo é feliz (exceto judeus):

disneystewiebrian

Como bônus, acabou de estrear o The Cleveland Show, que parece no mínimo melhor que American Dad. É uma versão negra de Family Guy.