Adios, La Roja

Depois de vários pequenos incidentes, acabei desistindo e vendi minha bicicleta de volta pra lojinha onde comprei. Por metade do preço que paguei.

Me serviu bem por um ano e meio, mas eu tinha perdido uma peça importante e meio rara que deixava ela toda instável, a correia estava caindo, até que um dia me cortaram a correia (gente fina da Barceloneta). Demorei três dias pra consertar, quando o fiz, um dia depois me aparece o pneu completamente no chão. Cheguei à conclusão que tinha alguém sabotando a bici e resolvi não consertar mais, larguei de mão.

Agora fico na mão do Bicing, que não é ideal, mas quebra o galho. O maior inconveniente de não ter minha própria bicicleta é não poder dar uma paradinha no supermercado para pegar algo. Tenho que estacionar a bici e depois ir até minha casa caminhando, o que vai me custar vários minutos cada dia. E, claro, no dia do futebol, sexta de noite, agora tenho que ir de Bicing + Metrô, trajeto que eu fazia todo de bicicleta e me levava 40 minutos, mais ou menos o mesmo tempo que levo de trem, porém grátis e com exercício. Uma pena. São 20km de bici a menos que farei por semana.

Aproveitei o momento da venda para falar um pouco mais com o tiozinho que consertava a minha bicicleta. O nome dele é José Cerdan, tem 72 anos, é aposentado, tem licença para trabalhar quatro horas por dia e conserta bicicletas praticamente por hobby, por que o faturamento da oficina é baixo. Me contou a história da vida dele, mas não divulgarei. 😉

Cigar

Hoje é aniversário do nosso amigo Cagado e outro dia passei pra ele, como um presente simbólico pelos 30 anos adquiridos, uma coletânea bastante pessoal de 4 dos melhores músicos do último século, Neil Young, Tom Waits, Bob Dylan e Leonard Cohen. De todos estes artistas, sou mais fã mesmo das baladas, e é nelas que a coletânea se concentra. Quem quiser ter uma introdução ao lado mais doce desses quatro bons & velhos, clicaqui.

Também recomendável esse bom vídeo editado pela Dona Tania Gatti, namorada do nosso amigo Masiero, para comemoração do seu trigésimo aniversário. Um bom tributo ao seu possível primeiro terço de vida. O vídeo inclui algumas fotos por mim tiradas e participação minha e da Chi lá pelo meio, mandando um feliz aniversário da turma brasileira naquela noite do boliche (dia do meu aniversário).

Wishing well

Seis de setembro, mando aqui um feliz aniversário ao meu irmão mais velho e mais careca, o Robeiço. Que esse CUMPLE nos traga boas novas, que os presentes sejam muitos. Afinal, 30 (TRINTA) anos, hein? Tu tá loco!

Valeu pela parceria, até hoje.

Talk show host

Primeiras fotos, o casal vizinho nosso, que entrou no apartamento do outro lado ao mesmo tempo que a gente. A casa deles é um espelho da nossa, com a cozinha vermelha ao invés de verde. E a sacada deles tem vista direta pra praia, uma baita vantagem, apesar de encarecer um pouco o aluguel deles.

Também na galeria, fotos do nosso segundo hóspede de CouchSurfing, um jovem de Singapore chamado Josh. Depois da primeira experiência bastante negativa, resolvemos dar uma chance mais e, dessa vez, foi bastante prazerosa. O guri veio, passou duas noites, nos mostrou um documentário que ele dirigiu sobre elefantes de rua na Tailândia e ainda nos preparou uma excelente janta asiática, um porco com tempero picante e vegetais refogados. No domingo de tarde, fomos pra praia com ele e uma amiga também couchsurfer das filipinas e nos divertimos. Boas conversas. O intercâmbio de culturas é o maior barato do CouchSurfing.

Como é verão aqui e Barcelona é um dos destinos mais cobiçados, tenho recebido pelo menos três pedidos de hospedagem por dia. Na verdade, minha idéia é hospedar uma pessoa por mês, quando der. Criei umas regras novas no meu perfil, para filtrar as pessoas que nem lêem a tua página antes de pedir hospedagem. Coloquei uma palavra-chave que as pessoas devem citar ao fazer o pedido, para que eu tenha certeza de que elas leram as regras.

Algumas regras foram bastante inspiradas pelo casal-problema daquela primeira tentativa, especialmente a primeira: não hospedo gente que chega na cidade de carro. Carro em Barceloneta é puro problema, não tem onde estacionar e os malandros assaltam. Enfim, estou mais empolgado agora em hospedar do que ser hospedado. É bem mais compensador, as pessoas ficam gratas de verdade.

E, por último, algumas fotos dos nossos últimos hóspedes, que acabaram de ir embora. É a prima da Chi, Sevan, e o namorado dela, Tristan. Eles dividiam casa com a Chi em Sydney, por isso já me conheciam. Foi muito legal tê-los em Barcelona conosco, são muito boa gente. Uma pena terem ficado tão pouco tempo.

Mulletwise

Olha, não dá pra dizer que não aproveitamos nossos dias de JOVENS. Aproveitamos pra caralho, mais intensamente entre 2001 e 2004. E está tudo altamente documentado em fotos e até vídeos (alguns infames). Mas que eu dava um MINDINHO pra juntar essa galera toda (e mais vários que não aparecem nessa montagem, especialmente Iuri e Cagado) em qualquer lugar, eu dava.

Valeu, amigos. Por alguns momentos, fomos geniais e, por que não, ETERNOS. Aqueles foram os dias.

Perdoem-me pelo momentos de nostalgia, mas se faz necessário de vez em quando. Tive um flashback de tudo isso há dois dias, ouvindo umas músicas boas, deitado no sol, na bela beira da praia de Bogatell. E pensei em todos vocês.

PS: Um abraço nas GURIAS, também, claro.

English Team

Apenas ilustrando a galera inglesa que me acompanhou na noite de sábado, na festa de Santo António. Gente boa, o Dan ali é a cara do Borges, porém gordinho.

You only get what you give

Quando cheguei a Berlin, na casa do Cagado, passei a me familiarizar com algo que eu ainda não conhecia: CouchSurfing. Claro que o conceito é velho e eu venho praticando-o, extra-oficialmente, há anos. Mas ainda não sabia do site, que é uma grande comunidade mundial e que está se tornando cada vez mais popular. Na Alemanha, especialmente em Berlin, a comunidade é fortíssima e quase todas pessoas que conheci por lá estão participando. O Cagado mesmo é membro e começou a hospedar gente regularmente, já que sua espaçosa casa permite.

Aí tu pensa, mas como vou confiar numa pessoa que nunca vi na vida? Estou viajando com câmera, computador, como posso deixar na casa de um estranho? Bom, o CS é um lance que funciona na base da referência, da confiança e do espírito de comunidade, troca, mutualismo. Ali, se aprende a confiar e ser confiado, quando a sociedade inteira te diz que o certo é desconfiar de todo mundo, que todo mundo quer te roubar ou te dar um golpe.

Bom, o que aconteceu foi que eu tinha marcado viagem para Lisboa por convite de uma amiga. Aconteceu que a amiga no fim não pôde me receber (na verdade, não pôde sequer me VER) e eu fiquei a ver navios. Parte da culpa foi minha, por ter marcado as passagens na pressa, sem antes consultá-la, apenas tendo o seu convite sido feito algum tempo antes. Mas eu marquei com a plena consciência de que poderia acabar num albergue, tranquilo. Foi aí que o Cagado sugeriu que eu fizesse um perfil no CouchSurfing.

Para Milano, por estar um pouco em cima da hora, não consegui nenhum lugar para ficar. Para Lisboa, não consegui para os cinco dias, mas consegui fazer minha estreia como hóspede nas últimas duas noites na TERRINHA. Graças à resposta do, agora parceiro, Daniel, que me recebeu muito amavelmente na sua casa, como se fosse um velho amigo. Quando um sujeito que tu viu pela primeira vez há 20 minutos te dá as chaves da sua casa e diz “Preciso de um favor: não vou poder dormir em casa hoje, então fique à vontade, sinta-se em casa, ali é o banheiro, esse é meu computador, pode usar, etc”. não tem como não sentir uma empatia e um respeito imediato pela pessoa.

O tempo foi pouco, apenas duas noites, mas deu para ter uma amostra curta e doce da hospitalidade da comunidade CS Lisboeta. Um grande sujeito, tranquilo, culto e articulado, que eu espero encontrar de novo nessa vida.

Saímos para jantar na última noite, com uma amiga que também faz parte da comunidade, e tivemos uma boa janta (camarão ao alho e óleo, te amei pra caralho) típica portuguesa e depois conversamos bastante, uma conversa deveras agradável e cheia de inspirações.

Digo, ficar num albergue tem seu valor, se conhece outros viajantes (em 3 noites, conheci uma romena, um indiano, quatro croatas, três italianos), se pode sair a explorar a cidade com pessoas que também não a conhecem. Mas não se compara com estar hospedado na casa de um nativo, que sabe os lugares bons pra comer e beber, sabe as ruas de cabeça, te apresenta a amigos do peito e pode te dar todo um insight sobre a cultura do local. O Daniel, por exemplo, toca violão, guitarra portuguesa e sabe tudo sobre fado. Pena que saímos um pouco tarde no último dia e só pudemos pegar o finzinho de uma apresentação do chamado FADO VADIO no Museu do Fado. Do pouco que pude ver, gostei muito, peguei bastante mp3 dele. Também aprendi muito sobre a língua portuguesa de verdade e algumas suas diferenças para o português brasileiro.

Enfim, a primeira experiência foi deveras positiva e espero poder repetir a dose no futuro, assim como também poder hospedar, no dia em que tiver uma casa com um pouquinho mais de espaço.

E, ao fim de conhecer uma pessoa nova do CS, é de bom tom deixar uma referência, para que se possa consultar ao receber ou ser recebido por uma pessoa que, até ali, tu não conhece de forma alguma. Ae algumas fotos do GAJO:

Um salve aqui também ao Mano Cagado pela força em Berlin e por ser sempre uma referência em tradição, respeito, parceria, trabalho e procedimento! Heh.