2015 in Music

Como de costume, coloco aqui o resumo do que foi meu ano musical, com ajuda do Last.fm

Esse foi um ano no qual não escutei tanta música quanto o de costume. Trabalhando frilas e quase sempre em locação, não estúdio, não tinha a oportunidade de tocar música durante o trabalho. E no tempo em que estou na bicicleta, às vezes escuto música, mas na maior parte das vezes escuto podcasts.

O que eu mais escutei esse ano gira em torno dos shows que assisti. Dá para dizer que o grande vencedor do ano foi “Currents”, do Tame Impala. Mesmo que o show tenha decepcionado um pouco (volume baixo, cantor monótono), não tirou o brilho do disco, que segui escutando depois do show no pátio da Opera House. Spoon foi um grande disco e um grande show. Future Islands, no festival Laneway, foi o show do ano, para mim.

Duas bandas veteraníssimas que lançaram bons discos esse ano foram Blur e Mercury Rev. Dois excelentes shows em diferentes escalas. O primeiro foi numa arena gigante, que eles domaram mostrando toda experiência e repertório. O segundo foi um dos shows mais humildes de uma das melhores bandas que já vi ao vivo. Incrível como uma casa de apenas 500 lugares não tenha lotado com um Mercury Rev lançando um BOM disco novo. Mas enfim, não tirou o brilho do show, que foi inesquecível. Nos dois casos, escutei o disco novo ainda mais depois dos shows.

Não posso deixar de citar Mogwai tocando na Opera House no meu aniversário, certamente uma das coisas mais brutais que aquele palco já viu.

Foo Fighters em um estádio foi uma experiência legal, um show que eu devia à minha adolescência. A parte dos covers foi a mais legal. Ao contrário do Blur, o último disco não empolga, o que atrapalha um pouco o ritmo do show (música compridas e meio ruins).

Entre apresentações bastante decepcionantes, vale citar Bill Callahan e The Drones, ambos na Opera House.

Dentre músicas soltas, por alguma razão saí um pouco do que vinha sendo regra: músicas instrumentais. Apenas UMA no top 14, raro.

Acho que era isso por ora.

Light ears

Eu sei que abandonei um pouco o espaço aqui, mas enfim, ninguém mais lê blogs. Ainda assim, para auto-referência, a tradicional lista anual de música. Como sempre, não é uma lista subjetiva, apenas demonstra o que o Last.fm registrou como mais tocado nos meus aparelhos.

Em termos de álbums, até que tivemos alguns bons novos nas paradas. Ultimamente, eu escuto música no computador mais pelas minhas playlists viciadinhas. Porém, no telefone, que também é registrado pelo Last.fm, escuto praticamente apenas discos novos, o que ajudou a deixar a situação um pouco mais atualizada.

Porém, dos 24 álbuns mais rodados, um disco novo na minha coleção, mas velho na história acabou ganhando o topo: coletânea de melhores do Paul Simon. O amigo do Garfunkel foi minha grande descoberta do ano em termos de música velha.

Em seguida, temos 2 discos desse ano e um do finzinho do ano passado.

Beyoncé lançou um disco que ouvi muito, nunca tinha escutado nada dela além dos singles, sem querer, e tenho certeza de que esse é o melhor que ele já produziu.

Future Islands foi a grande banda nova desse ano, para mim. O disco “Singles” é bom do início ao fim e essa apresentação é demais. Verei ao vivo no Laneway.

Damon Albarn lançou o primeiro disco solo com o nome dele mesmo e foi bom. Tem quatro músicas MUITO boas. Tive a chance de vê-lo ao vivo na Opera House, mas acabei deixando passar, foi bem na semana do “pânico terrorista” em Sydney.

Logo depois, Solange, com o EP True, foi muito escutado. Cada música boa.

Fora isso, o novo do Beck foi bem bom, fiz um revival de Gipsy Kings, aleatoriamente, e curti bastante, o novo do Spoon é muito bom, outro que estou para ver ao vivo, Mas Ysa é um EP bem bom. O resto tá ali na lista, pontinho vermelho do lado para os de 2014.

Nas músicas, essa baladinha no piano segue no topo das paradas, por ser simplesmente perfeita.

Seguindo, alguns dos meus chiclés de ouvido, canções que eu simplesmente não ouso pular quando vêm no shuffle. Esta, do Darjeeling Limited, esta maravilha sensacional da Grace Jones, remixando Piazzola, e esta beleza, que com certeza chegaria ao topo se o ano tivesse mais meses.

E apenas para registrar: as bandas mais escutadas.

Era isso.

2013 no ouvido

Pode-se dizer que em 2013 eu fui bastante relaxado, não procurei nada muito novo. Ouvi muita velharia, muita coisa que só se pode ouvir sozinho, em headphones. Incluindo aí trilha sonora da novela Tieta, músicas de Madonna e Laura Pausini e o artista sensacional que faz covers de trilha de videogame ACAPELLA, Smooth McGroove, que eu ouvi muito no meu iPod Shuffle, nos primeiros meses na Austrália, enquanto corria e suava para tentar perder os quilos que ganhei durante os cinco meses de férias no Brasil.

Ele e mais outros três foram artistas que escutei em 2013 que eu não vinha escutando antes: The Radio Dept, Rodriguez, Frank Ocean e Volcano Choir.

The Radio Dept eu só tinha ouvido na trilha sonora de Marie Antoinette, mas nunca tinha prestado atenção. Foi um dos casos em que explorar a biblioteca de outras pessoas no Last.fm vale a pena. Quando eu vejo uma banda sendo a mais escutada por uma pessoa, algo de bom ela tem que ter. Foi assim que descobri Of Montreal.

Rodriguez foi, obviamente, por causa do documentário. Frank Ocean é muito bom. E Volcano Choir, o disco antigo deles eu não tinha curtido, mas o novo é como se fosse um Bon Iver inédito. bom demais, com certeza o disco novo que mais ouvi este ano.

Os discos novos que mais escutei:

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Volcano Choir – Repave
Vampire Weekend – Modern Vampires of The City
Daft Punk – Random Access Memories
Cass McCombs – Big Wheel and Others
Arcade Fire – Reflektor
Rodrigo Amarante – Cavalo
The National – Trouble Will Find Me

Esses são mais antigos, mas ficaram no topo da lista em 2013, muito rodados:
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Frank Ocean – Channel: Orange
Radio Dept – Clinging to a Scheme
Deftones – Koi No Yokan
Father John Misty – Fear Fun
Sixto Rodriguez – Cold Fact

Aquela que recebe o troféu e música mais rodada de 2013: Smooth McGroove – Dire Docks Acapella

Seguida de perto por Laura Pausini – Destinazione Paradiso, vício meu, motivado pela minha vontade de aprender italiano.

A música de 2013 que eu mais escutei é na verdade um cover de um hit, The Stepkids – Get Lucky.

E a música SÉRIA de 2013 que eu mais escutei, vem apenas em décimo quarto na lista geral: Volcano Choir – Acetate. Muito boa, porém.

Aqui os resumos do Last.fm, para registro:

E, para fechar o ano, fiz um Mixcloud com algumas das músicas mais apresentáveis que eu escutei este ano.

Destaque para Jig-Saw Puzzle, dos Stones. Eu adoro Rolling Stones, gosto mais deles que de Beatles, mas nunca escutei toda discografia. Estou fazendo isso aos poucos. Então, todo ano, descubro uma música nova para mim. Essa maravilha é a do ano.

Como disse, tem muita coisa que escuto de maneira PRIVADA, em headphones. Os meus dois momentos de escutar música atualmente são bem definidos:

1.Em estúdio, com um monte de gente, trabalhando, com playlists pré-definidas ou feitas na hora. Como é muita coisa variada, como se fosse um rádio, essas músicas acabam não entrando nas estatísticas do Last.fm

2.Nos fones, enquanto ando de bicicleta. Nesse caso, limita um pouco ao que tenho no celular, que só tem 16GB de espaço. Não tenho mais levado meu iPod pra rua – na verdade tenho usado o coitado muito pouco, ele tá meio capenga (pausa sozinho se estou em movimento). Só uso quando escuto em casa, com ele paradinho, ligado às caixas de som.

Sobre shows, nada a declarar, tenho quase certeza de que não fui em nenhum em 2013, talvez pela primeira vez nos últimos 20 anos. Posso estar enganado.

I want you to show me

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Um dos lugares da minha lista de viagens para a Chi era o litoral de Santa Catarina. Por uma decisão de grupo, que incluía meu vizinho Ricardo, acabamos vindo para o Rosa, uma boa praia, um belo exemplo do que é SC: vegetação densa, geografia (e provavelmente leis ambientais) que impede grandes construções muito perto da praia, ondas fartas. Marchamos um pouquinho em pousada, que não é a coisa mais barata do mundo, mas valeu a pena. 7 bons dias, que começaram com mau tempo, quando fizemos a caminhada do Rosa até o Ouvidor (caminho também conhecido como Terra Média), acompanhados de um fiel cãozinho (adoro quando isso acontece), mas depois embalaram bem, com sol forte. Tô todo descascado. Ainda tivemos a ilustre visita do Mala e sua namorada, no fim de semana.

Ficamos numa boa pousada, também. Muito limpa, com internet, perto da praia. Mas não vou colocar o link por que o dono não merece, é um patife.

Vale destacar a música da semana, em versão apresentada tocada mil vezes pelo Ricardo.

O resto das fotos, aqui.

O ano musical no SambaMaioral 2012

Fim do ano, hora de registrar o que mais rodou nesse ano musical. Na verdade, não foi um ano de muita música, especialmente, não foi um ano de muita música nova. No trabalho, por exemplo, a música deu lugar a entrevistas e documentários. Um pouco antissocial, mas foi o que rolou.

Por isso, a música ficou mais pra voltas de bicicleta e momentos pinçados do dia-a-dia. Como sempre, a estatística vem de um dos meus sites favoritos, o Last.fm.

Enquanto ano passado, Fleet Foxes liderou loucamente com mais de 1200 escutadas, esse ano a coisa ficou bem mais equilibrada, pois não houve um lançamento arrebatador como o Helplessness Blues. Os discos mais novos que colocaram artistas entre os mais escutados foram os de M. Ward, Father John Misty, Tallest Man On Earth e Beach House, todos artistas que eu já conhecia antes (FJM já conhecia pelo Fleet Foxes).

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Já nas músicas isoladas, não tem nem o que dizer: uma playlist do meu iPod dominou, que foi a das minhas músicas instrumentais favoritas. Poucas conseguiram furar essa barreira, apenas uma delas sendo uma novidade, “Myth”, do Beach House, que ganha, automaticamente, o título de música nova do ano, pra mim.

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Ah, esse ano teve o Mixcloud, também, que alguns ouviram e gostaram, mas que acabou sendo deixado de lado.

No que toca concertos, tivemos um Primavera inesperado, graças à caridade de Rodrigo Levino. Fora isso, poucos shows, mas bem escolhidos. Ficando velho, meio que cansei de ir a shows dos quais conheço menos de 80% das músicas.

Melhores do ano:

1.m83 @ Primavera Sound 2012
2.Bon Iver @ Poble Sec
3.Leonard Cohen @ Palau Sant Jordi
4.The Cure @ Primavera Sound 2012
5.Wilco @ Primavera Sound 2012
6.Noel Gallagher @ Razzmatazz
7.The Tallest Man On Earth @ Casino del Poblenou
8.Father John Misty @ Primavera Sound 2012

When they said “Repent”, I don’t know what they meant

Eu já tinha perdido a chance de ver dois shows do Leonard Cohen. Estava para perder a terceira. Sempre mesma desculpa: além de um pouco caro, é aquele show em arena, todo mundo sentado, assistindo ao show pelo telão (a não ser que tu pague um valor relativamente alto e consiga comprar a tempo alguma das cadeiras que ficam pertinho do palco).

Pois dois dias antes desse show em Barcelona, resolvi dar uma olhada na página do show no Last.fm e vi uma oferta de duas entradas em um lugar não tão longe por quase metade do preço. E resolvi comprar, de aniversário pra Chi, que não vai estar comigo no dia do aniversário dela, 4 de dezembro. Era um grupo de 6 amigos que iam ao show, mas duas pessoas não chegaram a tempo e eles venderam por barato, afinal, não tinha lotado. O cara que me passou os ingressos, assistimos ao show todos juntos, tem uma das profissões mais peculiares que já ouvi falar ao vivo: técnico de câmeras de segurança de um presídio.

Enfim, voltando ao show, foi legal, mas foi aquilo que eu esperava: arena. Deu até pra tirar uns cochilos em alguns momentos, cansadão que eu tava. Mas teve momento belíssimos, o show. Destacaria “Bird on a Wire”, em versão blueseira, “Who By Fire” em versão guitarra espanhola (um dos guitarristas dele é catalão) e “The Partisan”.

A banda dele realmente é muito boa, mas os solos de violino ficaram meio xaropes e repetitivos ainda na primeira parte do show. Mas respeitei demais o velho Leo, 78 anos, 30 músicas, esbanjando vitalidade (e o vozeirão de sempre). Entrava e saía do palco literalmente saltitando.

Dois dias depois, de quebra, ainda vimos o show do Tallest Man On Earth, que foi no Casino del Poblenou, um dos melhores lugares de Barcelona para shows intimistas. Já foi o quarto show dele que vi, então não empolgou MUITO. Mas foi legal, teve muitas coisas diferentes dos anteriores, incluindo uma versão no piano para “The Dreamer”.

I was not magnificent

27 de julho passado fomos ao esperadíssimo show do Bon Iver, no Poble Espanyol. Chegamos cedo, conseguimos um lugar no gargarejo, sentamos nas cangas, jogamos canastra até o começo do show da Beth Orton, que abriu. Foi legal, mas nem chegou a empolgar. Um par de músicas boas. Acho que a melhor foi “Concrete Sky”.

Com vinte minutos de atraso, entrou a banda toda, Bon Iver, 9 integrantes, incluindo dois bateristas. Foi um show muito bom, mas eu esperava ainda mais, poucas vezes transcendeu, ficou um pouco JAM em alguns momentos, disperso, com tanta gente no palco.

Melhores momentos pra mim foram a introdução, com sobreposição de vozes de “Woods”, depois o reggae desconstruído de “Minnesota, WI”, a versão diferente, mais pesada, de “Blood Bank” e o singalong de “Skinny Love”, a música que nunca falta nos shows deles, para que todos possam cantar junto o “MAMAMA MAMAMA MAAAA“.

A foto é desse site. Mais fotos, aqui e aqui.