Sortie

E fechando a interminável sessão Marrocos, voltamos ao belo aeroporto Marrakech Menara. Que burocracia fudida para sair do país, que incompetência do pessoal da Vueling, mas conseguimos sair de lá e chegar em Barcelona a tempo da ceia de Natal. Ufa! E Feliz Ano Novo.

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Lalla Nezha’s Cooking Class

OBS: If you came into this blog because you were in the classes with me, I’ve uploaded a file with ALL the pictures of that day. There’s a lot of pictures (around 250). Just click here to get to the download page.

Chegando na casa dela, é hora de cada um preparar o prato que escolheu. Todos outros escolheram o tagine como receita, alguns de peixe, uns de cordeiro, uns de galinha e dois DE POMBA. Sim, comeram POMBA. Eu escolheu o couscous.

Quando chegou na hora de comer, eu já nem tinha mais fome, o que prejudicou a apreciação do meu COUSCOUS ROYAL. Mas ficou um pratão bonito. Eu comi o máximo que pude e, no final, parecia que eu só tinha bagunçado o prato

A cozinheira é muito legal, bem moderna para uma marroquina. Com o preço que ela cobra pelas aulas, deve viver como uma rainha em Marrakech. Éramos dez alunos.

Countryroads

Depois, ela nos dirige até sua casa, onde mora com o marido, a filha e a mãe. A casa é da família dela há três gerações e fica numa espécie de sítio onde só vivem locais como ela. É uma vila Berber. Rolou um pitstop num açougue de beira de estrada para comprar o cordeiro.

Meat is, indeed, murder

A etapa seguinte do tour nos levou a comprar galinhas e pombos vivos para o almoço. Ali mesmo, o pessoal faz o serviço de matar, decapitar, depenar e tudo mais. Achei interessante ela forçar o pessoal a ver esse ritual, que vem sempre escondidinho atrás das prateleiras dos supermercados. Mas, sim, o troço é meio sujão DEMAIS pro meu gosto.

Berber Whiskey

O último dia inteiro foi reservado para uma das recomendações do pessoal do TripAdvisor: aula de culinária marroquina com Lalla Nezha. Marquei essa aula basicamente por causa da minha mãe, mas foi um dia bem legal (que teria sido ainda mais proveitoso se tivesse sido feito no primeiro dia). No primeiro ato da manhã,ela nos levou a fazer compras no mercado de especiarias, onde se pode cheirar e provar de tudo. Ali por perto, compramos legumes, verduras, óleos e azeitonas.

Why so skinny

Negociar preços é REGRA, não tem como comprar algo sem baixar o valor inicial a uns 30%, quando não menos. Qualquer porcaria, o cara já pede uns 70 euros. No fim, tu sai dali pagando 10 tranquilamente. Chega uma hora que CANSA. Os caras são chatos, te perguntam o preço que tu quer pagar, se tu pede menos do que o mínimo deles, já ficam de cara, jogam tudo pro ar. É ridículo o teatrinho deles. Pra quem tá de saco cheio, há umas poucas lojas de artesanato que vendem as mesmas coisas a preço fixo. Se não for pra comprar, ao menos vale a visita para saber um preço MÁXIMO a pagar pros vendedores das souks.

Por exemplo, em uma loja de móveis, espelhos e etc, depois de nos mostrar vários móveis antigos e lindíssimos, o velho que nos atendia finalmente resolveu nos dizer quanto custaria pelo quadrinho/espelho que minha mãe gostou. Pediu DOZEMTOS euros. Ok, nem tínhamos a tal grana na mão, igual não compraríamos. Depois, vendo na loja oficial de artesanato, onde não há barganha, o mesmo espelho (com moldura de osso de camelo, etc, etc), estava por 40 euros.

Voltando aos CHATOS do Djeema El Fna, puta merda como tem gente chata e insistente. Te oferecendo comida, guia, direção, bolsa, foto com macaco, tatuagem de henna, foto com cobra. É só tu olhar pro lado que tem alguém pra vir te achacar. O negócio é andar reto e não fazer contato visual com ninguém, se não quiser abrir negociação.

Nessa brincadeira, quase tomamos uma ruim grande. Um gurizão começou a falar com a gente num momento, foi muito simpático, ofereceu parar almoçar num restaurante, ofereceu sei lá o que mais e acabou indo embora, depois que mentimos que já tínhamos comido. Mais tarde, dentro do labirinto apavorante das souks, acabamos nos perdendo um pouco, não achávamos a saída. Como, sempre que a gente passava por um corredor a gente olhava pra dentro pra ver se achava uma luz no fim do túnel, os locais começaram a notar e começaram a oferecer ajuda pra nos levar pra fora. A gente já tava numa parte meio sem turistas, mais para locais e a coisa começou a ficar preta.

Na real, levando em conta o quão fechado e apertado é o mercado todo, sem nenhum policiamento nas ruas internas, só locais contra turistas, até que Marrakech é segura demais. O cara raramente sente algo estranho, alguma ameaça. Se aquele lance ali fosse em Porto Alegre, eu certamente já estaria morto e esquartejado.

Mas o que aconteceu em seguida foi meio sinistro. Acabamos dando de cara com o mesmo guri, um tempo depois. Ele sentiu que a gente tava meio que andando em círculos e começou a falar com a gente de novo. Ele parecia muito amável e simpático, acabei indo atrás do que ele tava falando. Disse que ia nos levar pra ver a loja do pai dele, que era uma “festa de seda e lã, com cores”. Como estávamos perdidos mesmo, pensamos que talvez isso nos levasse a uma saída. E começamos a seguir o guri. Andamos umas três quadras e de repente chegamos numa parte onde só havia gente trabalhando em metal. Fumaceira saindo de dentro das oficinas. E a gente seguindo o guri. Ele disse que ali era a parte dos blacksmiths e que logo chegaria a parte têxtil. Foi nesse momento que me bateu um pânico. Ele dobrou uma esquina e eu resolvi falar pra mãe correr no sentido contrário, pra se perder do guri. Conseguimos perdê-lo de vista e acabamos achando a saída de volta para o quarteirão principal uns dez minutos depois. UFA!

El Alaoui

Andando pelos corredores das souks, que são essas lojas que vendem de tudo, dava vontade de sacar fotos de muita coisa. Mas andar com uma câmera grande ali dentro não era bom negócio. Além de eu ficar sempre com uma pulga atrás da orelha, o pessoal não consegue ver gente tirando uma foto mais direta sem vir pedir dinheiro ou tentar vender alguma coisa. Sem contar que a presença da câmera fazia o teu poder de negociação baixar muito.

Toda comida que experimentamos por aqui foi excelente. Metade graças ao bom TripAdvisor.com. A dica mais quente é o Earth Café, que fica bem perto do centrão. É um restaurantezinho onde trabalham umas três simpáticas mulheres, servindo comida vegetariana e vegan. Pra quem acha que esse tipo de cozinha é sem graça, é uma lição de vida! Pedimos a massa filó com recheio de espinafre e queijo de cabra, o macarrão de arroz com molho picante, um suco de laranja com maçã e um suco de beterraba com gengibre e laranja. Tudo muito bom, mas o melhor de tudo foi o Yogi Tea que bebemos no final. Que delícia, acho que passamos uma hora descansando as pernas e bebericando aquele chá. Tão bom que no outro dia voltamos só pelo chá. E tudo isso por menos de 20 euros, total.