Shit going down

Há horas que tenho uma lista de coisas para escrever sobre e publicar aqui, por menos que as pessoas ainda venham aqui ler, por mais que hoje em dia seja tão fácil contar coisas em primeira mão às pessoas interessadas. Algo acontece e eu posso ligar diretamente para minha mãe, no WhatsApp ou Skype e contar tudinho. Afinal, o objetivo original de ter um blog, que era o velho e bom SambaMaioral foi de poder contar as histórias de Londres de uma maneira organizada e sem mandar aquele velho email cansado para todo mundo.

Na época, os três que ainda lêem blogs e muitos outros entravam lá e comentavam, respondiam uns aos outros. Eu andava todos os dias com um papel no bolso onde anotava os acontecimentos do dia. Depois, em casa, eu digitava tudo exatamente como estou fazendo agora, mas salvava num disquete de 1.4 megabytes. Caminhava da minha casa até a biblioteca, onde desfrutava da minha sagrada hora de internet diária. Entrava no blog, postava textos e fotos, abria um arquivo onde copiava e guardava todos textos e coisas que eu queria depois ler em casa, incluindo aí os comentários do blog e dados dos jogos do Grêmio que rolavam, naquela terrível campanha de 2004, quando o Cláudio Pitbull sempre fazia gols e o Grêmio sempre perdia.

Mas enfim, as coisas mudaram, agora eu tenho internet em casa o tempo todo (depois de dois meses sem internet), mas não tenho a mesma urgência para contar o acontece por aqui. Mas vamos lá.

Uma coisa que ainda não contei por aqui, mas que a maioria já sabe, é que tive minha residência permanente na Austrália. Ou seja, até 2020 minha permanência aqui está garantida. Muito antes disso, já posso pedir a cidadania e, consequentemente, um passaporte com cangurus na capa. A ver.

Logo depois dessa aprovação rolou um trabalho surpresa, que foi esse artigo sobre a Austrália que saiu na VIP de Maio. O amigo Rodrigo Levino, que trabalha na revista, me ofereceu o trampo e eu peguei, de última hora. Foi uma experiência bem legal, visitar Uluru e Melbourne experimentando atividades turísticas e excelentes restaurantes. Consegui muitas fotos boas e agora estou na expectativa de ver a revista fisicamente. Todo mundo já viu, menos eu. Algumas outras fotos da viagem, que não saíram na revista, eu adicionei ao meu site, confiram.

Também significou a mudança drástica no meu Instagram, onde passei a postar fotos feitas na minha câmera de verdade, não mais a do celular. Depois de ter postado tantas fotos da viagem, especialmente as de Uluru, tive alguns reposts importantes, como esse, do Instagram oficial da Austrália, e esse, da conta do estado de Northern Territories, que na real repostou umas cinco fotos minhas durante a viagem. Nessa brincadeira, ganhei centenas de novos seguidores e me senti um pouco forçado a dar um upgrade nas fotos do Instagram.

Durante quase dois anos, curti bastante todo exercício do Instagram, de ver a beleza no dia-a-dia, nas coisinhas pequenas. Acho que é um exercício interessante de fotografia e sempre fiz com bastante dedicação. Muitos fotógrafos usam o Instagram de maneira bem desleixada, para não dizer que tentaram e falharam. Eu posso até falhar, mas eu estou tentando. Mas esse é um assunto maior que um parêntese e serve para muitas coisas na vida. Me lembra de quando eu tinha uma banda e realmente tentávamos produzir a melhor música possível. E mesmo que isso não fosse exatamente um sucesso na maior parte do tempo, só o fato de dar o seu melhor e abrir seu coração na frente de uma platéia tem um valor muito bonito. E nas dezenas de shows que fizemos, houve ali alguns momentos de catarse onde muita gente entrou na mesma onda e curtiu.

Voltando ao Instagram, por muito tempo, minha reação foi postar umas fotos antigas, as minhas favoritas de viagem, que vocês já conhecem bem e andaram rondando meus portfolios. Vasculhando os baús dos últimos 5 anos, também descobri que fiz viagens inteiras que não renderam mais do que duas fotos interessantes, o que é um desperdício. Nessa viagem a trabalho, onde eu tinha um objetivo e um briefing a cumprir, acho que fiz muito bem, acabei conseguindo fotos muito bonitas e em número elevadíssimo. Enfim, por isso tudo comecei a levar minha câmera para a rua mais seguidamente, especialmente quando perto do mar, e segui postando apenas fotos da 5D.

Outra atividade de destaque, no movimento ainda existente de negação ao fim do verão, tive um adorável fim de semana em Jervis Bay, umas duas horas ao sul de Sydney.

Alugamos uma bonita casa em Vincentia, dali exploramos a região de Jervis Bay, que é embasbacante de tão bonita. Hyams Beach é uma das praias mais lindas que eu já vi. O pôr-do-sol nesse mesmo dia foi espetacular. Mas o melhor estava guardado para a última manhã na casa. Acordamos cedinho para ir ver o sol nascer e fomos brindados com quase dez golfinhos nadando muito perto da beira da praia. Se tivesse um pouquinho mais quente, eu teria jogado a câmera na areia e ido nadar com os golfinhos. Na real me arrependo um pouco de não ter ido.

Nesse mesmo dia, recebi notícia de que a polícia tinha ido bater na minha porta de casa. Eu não fazia ideia do motivo. Mas desconfiava. Resumindo: quatro meses antes, eu dei uma ré mal calculada e dei uma beijinho no carro de trás. Saí do carro para conferir, nada aconteceu com os carros, segui a vida. Problema é que houve testemunhas e elas anotaram o número da minha placa e deixaram um bilhete no outro carro. E o outro carro resolveu que eu não ter deixado meus dados era motivo suficiente para ir incomodar a polícia. Enfim, resultado final foi que recebi uma multa de 170 dólares por ter dado a ré de maneira inconsequente. E, basicamente, por não ter deixado meu telefone de contato no carro.

Outra coisa na qual me envolvi aqui, foi em um trabalho de caridade com o hospital de Randwick, na parte das crianças. Conversando com um cara que trabalha lá tocando música para os pacientes, me ofereci para ir fotografar os pacientes nos momentos de música. Ainda não sabemos exatamente como vai funcionar o resultado final dessas visitas, mas a primeira já foi bem especial.

E agora que sou residente permanente preciso ter uma carteira de motorista de NSW. Para isso, fiz um teste teórico, no qual fui muito bem, e hoje um teste de direção. No qual, segundo a opinião do meu avaliador, fui muito mal e rodei. Mesmo que nada de mais tenha acontecido. Agora, por uma semana não posso dirigir sem ter no carro alguém que tenha uma carteira de motorista de NSW. Tô ralado. Preciso muito passar nesse teste na próxima sexta feira.

Abaixo, algumas fotos ilustrando as aventuras desses últimos meses.

3 comentários sobre “Shit going down

  1. Que bom que apareceu uma nova postagem! Acompanho esse wordpress faz um bom tempo, não te conheço (ou conheço um pouco já hehe) e gosto muito das fotos. Boa sorte com o projeto no hospital e com a carteira de motorista!

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