A large acceptance

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Por coincidência, vim terminar de ler “Barba Ensopada de Sangue”, de Daniel Galera, no litoral de Santa Catarina, mais especificamente na Praia do Rosa. Também passamos por Garopaba, pelo prédio onde se passam várias das cenas do livro. No Centro Histórico, passamos por alguns dos locais citados no livro e eu estava olhando em volta como Ele, o personagem do livro, olhando nos olhos de qualquer morena de cabelo crespo, não reconhecendo rosto algum, imaginando se tinham nome de flor.

Gostei bastante do livro, que li um capítulo por dia, na rede, em Imbé, como todo livro deveria ser lido. Ou ao menos todos livros do Daniel Galera. Ou ao menos ESSE LIVRO. Talvez isso possa ser dito de todos os livros dele, mas acho que ESSE SIM é o primeiro livro em que ele se entrega por completo, destilando-se em alguns alteregos misturados com lendas e histórias de Garopaba, certamente colecionadas ao longo dos vários meses em que viveu na cidadezinha.

É bem provável que façam um filme baseado nesse livro, o que vai ser curioso de ver, no mínimo: um longa contemporâneo, rodado em Garopaba. O papel do valente e teimoso protagonista será um presente para qualquer bom ator brasileiro, pois prevê uma transfiguração física drástica ao longo do romance, culminando na épica barba. Se não acharem um ator à altura, me prontifico. Afinal, na parte da apneia já estou treinado. Só me falta ter algumas aulas de natação. 😉

Conclusão: gostei demais do livro e espero com prazer o próximo romance desse grande escritor.

Aproveito para publicar algumas fotos do autor, Daniel Galera, que tive a oportunidade de fazer nesse mesmo dia. Tem uma com um sorrisão. Sucesso total.

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Vai dar

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Por coincidência, um dia antes de terminar de ler o livro “Barba Ensopada de Sangue” acabamos passando por Garopaba, onde a história toda acontece. Foi interessante, passamos ali pela ruazinha onde o personagem morou. E comemos um bom pastel. 🙂

Na minha cabeça, por causa do livro, a cidade era menor, a baía era menor, a situação era mais roots, mesmo eu já tendo estado em Garopaba anteriormente (justamente com o irmão do autor e seus pais). Amanhã, falo mais do livro, especificamente. 😉

O resto das fotos, aqui.

Filigranas

Outro destaque do primeiro dia foi a visita à Livraria Lello & Irmão, mundialmente famosa por ter sido uma das inspirações para os livros de Harry Potter. A história, contada por um sujeito que trabalha na loja há 13 anos, é que a J.K. Rowling, que morou na cidade por 5 anos, visitava a livraria quase todos os dias e frequentava o andar de cima, onde há uma pequena cafeteria. Ali, lia e escrevia o livro que veio a ser, indiscutivelmente, o maior sucesso da literatura infanto-juvenil dos últimos 10 anos, acordando milhões de jovens para o mundo dos livros. Eu não sou o maior fã de Harry Potter, nunca li os livros, mas assisti alguns dos filmes e achei até bons, especialmente o dirigido pelo Alfonso Cuáron, que é o terceiro, o do Azkabán.

Mas enfim, o que é bonito mesmo na livraria é a escadaria. Uma escada pequena porém bastante chocante à primeira vista e que requer um tempo para ser digerida.

Asa branca

Nas duas semanas em que fiquei sem acesso à internet de casa, me registrei na biblioteca local.

É uma biblioteca OK, suficiente, mas poderia ter bem mais coisas. Mesmo de famosos autores de língua espanhola, é muito difícil de encontrar algo. Em inglês, nem se fala. De primeira, peguei dois livros, um para ler em casa e outro, menorzinho e bem encapado, para ler na praia.

O livro de casa é uma antologia de contos moçambicanos chamada “As Mãos dos Pretos”, seguindo minha fascinação pela língua portuguesa falada na África. Como todo livro que compreende a obra de vários autores, tem coisas boas e coisas não tão boas. Ainda não fui muito fundo nesse.

Agora, o livro “de praia” foi um espetáculo. A experiência de ter lido Relato de un náufrago que estuvo diez días a la deriva en una balsa sin comer ni beber, que fue proclamado héroe de la patria, besado por las reinas de la belleza y hecho rico por la publicidad, y luego aborrecido por el gobierno y olvidado para siempre es, de Gabriel García Márquez, à beira da praia, alternando com alguns mergulhos, é inesquecível. Que bonito livro, tão simples.

Ainda mais do que em Crónica de una muerte anunciada, o título descreve exatamente o que vai acontecer no livro. Uma estratégia curiosa, especialmente numa história onde “pouco acontece”, mas que funciona muito bem para mostrar como, em um livro, muito mais importante do que O QUE ACONTECE é como o que aconteceu é contado pelo autor.

Baita livro.

– – Esse é o post #970 desse blog, no dia em que chegaremos a 66.666 acessos. Nice. 🙂 – –

PS1: Nada mais PALHA do que uma mina fazendo topless na beira da praia e tapando os seios quando sai do mar.
PS2: IMPOSSÍVEL não olhar quando uma mina joga FRESCOBOL de topless.
PS3: Bom videogame.
PS4: Pra quem não usa Google Reader, agora é possível assinar o blog por email, ali na coluna da direita. Recebes o post bonitinho para ler nas sua caixa de entrada. 😉

god only knows what you’re missing

Acabei de dar uma volta pelo bairro em busca de um posto de gasolina para encher o pneu da frente da bicicleta. É IMPRESSIONANTE como é difícil achar um posto nessa cidade. Mas achei e enchi. Velho, como é BOM andar de bicicleta, principalmente numa cidade que não tem nenhuma lomba mais acentuada que a lomba da Luzitana, onde eu morava eu Porto Alegre. Garantia de locomoção rápida e sem sacrifícios maiores.

Fiquei até um pouco com medo de andar tão rápido no escuro, pela calçada (coisa que não se deve fazer, também). Caso eu resolva de fato ficar com a bicicleta, vou te que fazer alguns ajustes a fim de legalizá-la para transporte em Sydney. Mais importante de tudo, preciso arranjar um capacete e colocar luzes piscantes na frente e na traseira.

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Ao descer a Bourke Street muito rápido, não pude deixar de me sentir um gurizinho que sai pra rua pra andar pelas poças d’água na praia. Lembrei na hora do excelente primeiro capítulo do livro Mãos de Cavalo, do Daniel Galera, que comecei a ler essa semana. Tinha adquirido o troço algumas semanas antes de vir pra Sydney, mas só resolvi ler agora.

Coincidentemente, li um livro dele em Londres, também. Numa noite de insônia, sentei na poltrona do gigantesco banheiro daquela casa e li quase toda obra numa sentada. É realmente um bom escritor esse tal de Daniel Galera e não estou falando isso só por que tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e por me identificar com muitas das coisas que ele escreve, por ter crescido na mesma cidade na qual ele também passou boa parte da vida e ter dividido um certo momento no espaço e no tempo, lá pelos anos de noventa e nove, dois mil e poucos, entre ele começar a ganhar certa notoriedade como um dos maiores talentos do COL e lançar seu primeiro livro. O bicho é bom mesmo.

Li ontem, mais adiante na história, a narração altamente descritiva de um parto complicado e foi uma das coisas mais apavorantes que eu experimentei nos últimos tempos, não pude conter aquela lagriminha de alívio no final.

Fiquei sabendo há pouco, o Egs me contou, que ele tá morando em Garopaba – SC, depois de ter passado uns tempos em Buenos Aires e São Paulo, se não me engano. Massa, é uma boa para um escritor ser nômade desse jeito. Cada cidade conhecida é um novo fôlego, um novo livro. Por sinal, leio agora nesse link que eu passei ali em cima que vai ser lançado um novo romance dele nesse mês, muito provavelmente.