Climbing up the walls

Sempre que estou prestes a viajar as pessoas perguntam: tu tá empolgado? Eu nunca estou empolgado, na verdade. Até por que, em um primeiro momento, a minha única certeza é de que vou entrar em um avião. Também por que gosto da minha casa, gosto da minha rotina, gosto de Sydney. Poucas cidades podem ser tão gostosas quanto estar em Sydney, basicamente por causa das belas praias. E eu tenho aproveitado bastante, mesmo com temperaturas já chegando perto dos 20 graus. Desde que o sol esteja brilhando, dá praia, nem que seja só para ler e ver o mar.

Outra razão: eu rompi parcialmente os ligamentos do meu tornozelo esquerdo jogando bola. Foi no dia 24 de Janeiro e ainda não sarou 100%. Essa semana finalmente consegui dar uma corridinha na praia, tenho nadado quando consigo e andado de bicicleta quando convém. Tudo na esperança de recuperar os movimentos completamente e poder jogar futebol quando eu voltar do Brasil.

Essa viagem para o Brasil veio meio de surpresa, na verdade não tenho mais muitas motivações turísticas para ir ao Brasil, já visitei quase tudo que tinha vontade de visitar (com exceção de Minas Gerais e Lençóis Maranhenses). Mas, de vez em quando, é importante visitar os amigos, a família, principalmente minha vó, que já tem mais de 80 (muito bem de saúde, diga-se de passagem), e minha sobrinha, que acabou de completar 5 anos e já é uma pessoinha, com pensamentos e opiniões, acho que aí que começa a ficar divertido. Primeiro, ela não sabe que eu estou chegando, vamos fazer uma surpresa: eu vou entrar no Skype com ela, de dentro da casa dela. Vai ser divertido. Depois, quero fazer uma entrevista com ela, em vídeo, para que ela possa ver quando crescer, basicamente por que eu não tenho nem um pedacinho de vídeo meu quando eu era piá, falando.

Quando me perguntam de saudade de Porto Alegre, a verdade é que não tenho. Da última vez que fui, na Copa, há três anos, notei que qualquer coisa da qual eu tivesse saudade, não estava mais lá. Não faz mais sentido. Até o apartamento onde eu cresci está sendo depenado agora mesmo, para ser alugado. Acho que o ciclo de mudança para a Austrália finalmente se definiu, até por que, quando eu voltar, posso pedir minha cidadania Australiana. Aí a coisa fica séria! Ou não, também me permite poder morar em outros lugares, de repente. Vamos ver.

Claro que tem a saudade das pessoas, dos amigos, da família e até as pessoas em si, os brasileiros, sempre que vou acabo fazendo novos amigos, conhecendo amigos de amigos, gente muito boa. Existe um perfil de pessoa que vai à Australia todos os dias, a maioria vai pela aventura, vai para passar um ano ou dois e acabou. Em geral, não me identifico muito com eles.

Nesses três anos, estive um pouco ausente aqui, tenho plena consciência, é quase de propósito. Muita coisa aconteceu que eu gostaria de ter registrado aqui, por mais que ninguém leia, é bom manter um diário, para descarregar e também para poder reler no futuro, ter uma ideia clara de como eu pensava em certa data, quais eram meus planos e expectativas e depois comparar com o que aconteceu.

Vamos ver se consigo me disciplinar para voltar a escrever aqui.

Agora estou no vôo Sydney-Dubai, onde vou passar uma semana com minha família, já que o meu irmão Feli resolveu virar um dos melhores vendedores da Prudential no Brasil. Dali, com mil dólares a mais, ia até o Brasil, então resolvi fazer essa pausa, não tirava férias fora do Natal desde a Copa de 2014, esse é o lance do freelance, ninguém paga pelas tuas férias, sempre significa gastar dinheiro sem fazer dinheiro algum. Mas tudo bem, na verdade estou me forçando a isso como uma forma de partir para a próxima etapa da minha carreira, que é tentar fotografar bem mais do que dar assistência a fotógrafos. Venho fazendo isso mais e mais, mas de uma maneira natural, quero dar um gás consciente e planejado.

Cenas dos próximos capítulos.

PS: que massa é a Emirates, eles te dão TALHERES DE VERDADE. E o vôo está meio vazio, tenho três assentos para poder deitar atravessado, tenho meu travesseiro de estimação que trouxe de casa e um voo de 14 horas para dormir. Isso é empolgante! 😉

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Turkish Family Names

Depois de 3 anos e 5 meses convivendo diariamente com a Chi, depois de 3 meses em Sydney morando com os sogros (estamos procurando lugar pra morar, calma), finalmente entendi completamente a nomenclatura dos familiares em turco. Enquanto brasileiros chamam todo mundo de TIO e TIA, nos países de língua turca eles usam nomes bem mais específicos.

Isso ajuda a saber, quando tu fala de alguém, se é da família do teu pai ou da tua mãe. Se eu disser “Minha HALA me deu um presente”, tu vai saber que estou falando de umas das irmãs do meu pai. Se eu disser “Meu AMDJA é um gênio”, tu vai saber que estou falando de um dos irmãos do meu pai. Se eu disser “Meu DAIÊ ganhou na loteria”, tu vai saber que estou falando de um dos irmãos da minha mãe. E, finalmente, se eu disser “Minha DEIZE está de férias em Cancún”, tu vai saber que estou falando de uma irmã da minha mãe.

AGORA, se estamos falando de AGREGADOS, ou seja, pessoas de outras famílias que entram na minha família por meio de casamento, chamamos de ENISHDÊs os homens e IENGUES as mulheres.

E assim vai.

A lista completa, com a grafia correta, não exclusivamente fonética, como eu fiz, está no fim dessa página.

-=-=-

Para ilustrar a ideia, um vídeo de 1981, 1982, uma joia de família, gravado com uma Super8 (acho). Cenas em Tramandaí, Porto Alegre e Canoas. E uma bela trilha sonora. Havia controvérsias sobre a posse dessa FITA, por isso, encomendei com meu irmão mais novo (cujo PARTO é a primeira do vídeo, que eu editei, claro) uma versão digital do vídeo, para que todos possam possuir e compartilhar. Eu não era nascido, o bebê que estrela a maior parte do vídeo é meu irmão mais velho, que completa 33 anos daqui um mês e dois dias. Também aparecem meu pai, minha mãe, meu vô Honorato, muitos tios e tias, primos, vários Passats e Fuscas, o Pôca-Banha, um vendedor de picolé, alguns mecânicos, um avião, caminhões, um cavalo e um D!*@$ #$%@*$.

A minha mãe é aquela BRINCANDO DE LUTINHA com meu primo mais velho, Rodrigo. A última seqüência mostra meu pai tentando vender um Fusca, na oficina da Transportadora Fanti, em Canoas. Domingos de um tempo em que o principal assunto do GreNal não era as brigas de torcida.

PS: Aproveito para testar um layout novo, já que FAZ TEMPO. Melhor? Pior?

First day of the rest of my life

Há uns 15 anos, não sei por que motivo, tive essa idéia de que eu morreria no dia 22 de Outubro. E, desde lá, esperei com ansiedade por esse dia, até que, no ano passado, me dei conta de que provavelmente não morreria, mas que poderia acontecer alguma coisa importante. Bom, passou-se o dia 22, eu só fui me dar conta no final da tarde.

Obviamente, nada de especial ocorreu ontem, mas coisas boas têm acontecido ultimamente. Fui oferecido um emprego decente com tratamento de imagem, fui sondado por outro trabalho ainda melhor e fiz um freelas legal como assistente para fotografia de carros. Ou seja: finalmente, Barcelona tá engrenando também no lado profissional, já que todo o resto estava muito bem, obrigado. Temos um apartamento legal, com localização perfeita, brincar de casinha tem sido divertido, ainda não perdemos o sentido de novidade e de alegria de dividir a casa, cozinhar, etc. Também tenho jogado futebol uma vez por semana, através do Falta1 Só faltava eu parar de torrar minha poupança, o que vai acontecer agora. Segunda começo a trabalhar e passo a ter direito até a plano de saúde. Yay!

Minha mãe chegou semana passada, estamos relaxando, cozinhando, caminhando por aí. O tempo anda bom, tá dando pra entrar no mar para umas braçadas, em pleno fim de outubro, apesar de friozinho. Comprei uma Wacom legalzinha ontem, pra fazer uns testes para um possível trabalho que pode rolar no futuro. Enfim, tudo nos eixos.

Amanhã de tarde o Gui chega para visitar e atender a uma conferência sobre PHP, também visitará Madrid por dois dias.

Gostaria de ter aproveitado o tempo livre para estudar um pouco mais certas coisas, mas assim é, é difícil ter disciplina quando se está de folga. A coisa vai andando, tem tudo para ser um bom inverno. 😉

Próxima meta: viver mais dez anos bem vividos.

Well I met you at the blood bank, we were looking at the bags

Hoje, pela primeira vez depois de ter voltado da Austrália, fui doar sangue. É um hábito que eu procuro manter, já doei uma dezena de vezes.

Na maioria das vezes fui ali no Hemocentro do Hospital Moinhos de Vento. A doação é rápida e indolor – ainda te dão bolo de chocolate e um suquinho. E mais: depois te mandam pelo correio os resultados do teu exame, alertando para casos positivos de Hepatite B, C, Chagas, Sífilis, AIDS, Paraparesia Tropical Espática e Leucemia / Linfoma de Células T.

O serviço completo do Hemocentro do HMV:

De segunda a sexta, das 7h às 19h. Sábado, das 7h às 13h.

O Banco de Sangue Hospital Moinhos de Vento realiza transfusão de sangue via ambulatório, além de doação de qualquer tipo de sangue.

Critérios para doação de sangue: estar em boas condições de saúde, ter entre 18 e 65 anos de idade, levar documento oficial de identidade com foto, pesar 50 Kg ou mais (não estar em jejum), ter dormido pelo menos seis horas antes da doação e não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação.

A enfermeira de lá ainda manifestou o baixo movimento de doadores naquele local. Ela disse que o pessoal pensa que o Moinhos de Vento não precisa tanto de sangue quanto hospitais públicos, o que não é verdade. Eles não podem COMPRAR SANGUE. Enfim, eu recomendo ir ali, é comfortável, é rápido e gostosinho. E procure fazer disso uma visita freqüente, lembrando que homens podem doar a cada 2 meses e mulheres a cada 3.

PS: pra promover a causa, fiz uma MIX TAPE especial. É que eu ADORO ouvir música enquanto o sangue tá fluindo veias afora. Clique aqui para baixar o pacote. E veja aqui a lista de músicas, que inclui algumas das minhas músicas calminhas favoritas:

Bon Iver – “Flume”
Jim O’Rourke – “Ghost Ship in a Storm”
Erik Satie – “Gymnopédies”
Radiohead – “Fog”
The Verve – “Sonnet”
Mayer Hawthorne – “Just Ain’t Gonna Work Out”
Akron / Family – “I’ll Be On The Water”
Fleetwood Mac – “Albatross”
Nico – “Somewhere there’s a feather”
Fleet Foxes – “Meadowlarks”
Mark Farina – “Dream Machine (Downtempo Mix)”
Harry Nilsson – “Everybody’s Talking”
The Tallest Man On Earth – “The Gardner”
Bon Iver – “The Park” (Feist Cover)

Swine Flew

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Alguns familiares vieram me perguntar se eu iria pro Chile, mesmo com a história da gripe suína crescendo lá (ok, eles achavam que eu estava indo dia 28 de JUNHO, não Julho, como é o caso). A princípio, minha reação foi dizer que sim, iria assim mesmo. Depois, comecei a pensar de novo.

O que eu acho, em linhas gerais, é que se faz muita onda, muito alarde. Pelo que li, quem morre por causa da gripe é gente com saúde já debilitada por diversos outros problemas, incluindo aí velhinhos e bebês, frágeis por natureza. E, que eu saiba, tem muitas outras coisas matando muito mais gente por dia aí (cigarros, motos) e ninguém proibiu ainda (argumento batido, mas tá valendo). Sei lá.

Eu acho que, honestamente, o negócio é ir e se cuidar, claro. Não acho que devo desmarcar a viagem por causa disso. Se pegar a gripe, vai pro hospital e trata. Posso estar dizendo uma granda burrada. Por isso, pela primeira vez, coloco aqui uma ENQUETE:

PS: a foto não é minha, tirei lá do The Big Picture, há uns tempos atrás. É de LUIS ACOSTA/AFP/Getty Images.

A maior expressão da angústia

Depois do cinema, dei uma caminhada pelo shopping. Incrível o preço OBSCENO dos eletrônicos no Brasil, se comparado com outros países. É simplesmente inaceitável.

Essa passeada no shopping somada a algumas coisas que andaram acontecendo, algumas decepções, me deixaram bem pessimista quanto a Porto Alegre, pra mim. Me sinto bastante deslocado, ainda, e até chateado com certas coisas.

Acho que minha salvação única é ganhar na Mega Sena. Ou então renuncio à sociedade moderna e viro monge. Talvez eu esteja com traços de depressão. Mas que tem um monte de coisa muito errada nessa cidade, tem.