Waving Goodbye, I’m Not Saying Hello

Atenção: post mais para referência minha do que qualquer outra coisa.

E acabou, enfim, o tal Primavera Sound Festival. Nunca tinha ido em nenhum desses festivais que se passa a adolescência ouvindo falar e babando na escalação, tipo Reading, Coachella, Big Day Out (Planeta Atlântida não conta). Pois dessa vez o lineup era sedutor demais, não pude ignorar. Com certeza nunca tinha visto tantos shows em tão pouco tempo e é, sim, cansativo. Tem que se poupar bastante, sentar pra descansar o máximo que puder, senão vai faltar gás já no inicinho da madrugada, quando rolam alguns dos shows mais importantes. Vamos a comentários rápidos sobre cada show que eu consegui ver:

Quarta-feira:
Echo & The Bunnymen: por atrasos fora do meu controle (ver patroa), acabei conseguindo entrar em Poble Espanyol apenas para ver as últimas 3 músicas. Pelo menos deu pra ver “Lips Like Sugar” ao vivo. Já valeu alguma coisa.

Quinta-feira:


Of Montreal: show divertido e bastante competente desses bizarros.

Big Boi: me decepcionei um pouco ao ver que ele ia tocar sem banda, apenas com um DJ e um MC de apoio. Mesmo assim, show muito bom, cheio de dancinhas engraçadas e a presença de jovens do público balançando o popozão no palco. Rolaram algumas do Outkast, também. Agora, as 4 músicas que eu mais gosto do disco dele, ele não tocou, FDP.

Grinderman: conheço NADA da banda, mas resolvi dar uma olhada pela presença amedrontadora do Nick Cave. Como estava um pouco longe, sentado na grama, não entendi nada. Se estivesse no GARGAREJO, certamente, teria aproveitado bem mais.

The Walkmen: Acabei saindo de fininho para o palco Pitchfork para conferí-los. Consegui ver algumas músicas que eu gosto, incluindo “The Rat”. Bom vocalista.

Interpol: Primeiro show que fui ver no palco LLEVANT, que deveria ser chamando Palco Far Far Away. Era totalmente separado do resto, tinha que caminhar uns 15 minutos pra chegar lá e tava sempre lotadaço. Enfim, conseguimos ver o show de uma distância aceitável. BOM setlist, mas perdi as últimas três músicas para conseguir um lugar decente no show do Flaming Lips. “The New” foi foda. E é o terceiro show que vejo do Interpol, cada um com um baixista diferente.

Flaming Lips: um SHOW, como sempre. Mais do mesmo: versões prolongadas, balões coloridos, LÍNGUA-DE-SOGRA, meninas de vestidinho no palco. Wayne Coyne é um pirado desgraçado, um dos caras mais pilhados do mundo, parece que tá sempre viajando no ácido. Respeito muito, dizem que depois do show ele tava andando entre a galera, no festival, curtindo uns shows. Destaques para “Race for the prize”, “Do You Realize” e “She Don´t use Jelly”. Setlist aqui.

Poderia ter visto Girl Talk, que eu tinha bastante curiosidade, mas era às 4 da matina lá no palco afastado. Peguei minha bicicleta e fui pra casa.

Sexta-feira:

Como não fui trabalhar, acordei 13h e fiquei tranquilo, almocei, limpei a casa, tomei um banho de mar, tirei uma pestana na beira da praia. Acabei saindo pro festival só pelas 19h20 mesmo, até por que desisti de tentar entrar para ver Sufjan Stevens, que era às 17h, em um anfiteatro com entrada limitada. E depois teria que esperar mais de uma hora para meu próximo show de interesse.

M.Ward: Cheguei em cima da hora mas consegui um lugar muito na frente, não estava muito concorrido. Grande erro da galera: um dos melhores shows do festival, com certeza. M. Ward é um cara foda, a banda dele é muito massa, especialmente um tiozinho que toca violão e o guitarrista solo. FODA. Tocaram praticamente todas que eu gosto dele, incluindo “Whole Lotta Losin”, do Monster of Folk. Destaque para “Poison Cup”, a balada “Post War”, a canheira “Right in the Head” e a emocionante “To Go Home”, de Daniel Johnston. No fim, ainda rolou “Roll Over Beethoven”, para delírio da massa dançante.

The National: Mais uma vez por motivos de força maior, não consegui pegar um bom lugar para ver esse show que eu queria bastante. Não consegui chegar nem a 1km perto do palco, de tanta gente que tinha. Com um pouco de vento, se ouvia muito pouco. Tentamos escutar umas duas músicas, que pareciam excelentes (“Bloodbuzz Ohio” e “Mistaken For Strangers”) e desistimos.

Ariel Pink´s Haunted Grafitti: Acabamos indo ver esse showzinho aê. Valeu por ver “Round and Round”, que foi considerada melhor música do ano passado pela Pitchfork. Mesmo ela estava meio caída, banda meio bagunçada ao vivo, o vocalista é muito relapso.

Belle & Sebastian: Tiramos esse show para assistir sentados na grama, de longe. Mé. Tocaram uma música que eu conheço.

Explosions in The Sky: Interessante, mas quem já viu eles em um show próprio, com som bem regulado, sabe que é muito melhor do que aquilo ali.

Pulp: Tá certo que o Jarvis Cocker é um cara preza, que Pulp tem várias músicas boas, mas nada justifica todo o FRISSÔN que estava rolando. Muita gente, muita loucura. Não aguentei muito tempo, saí fora. Há rumores de que um cara pediu a namorada em casamento no meio do show, em um lance meio ensaiado com o JC.

Sábado:

O dia de destaque, para mim. Descansamos bem e chegamos às 17:15, faltando quize minutos para o início do primeiro show.

Tallest Man On Earth: O barulho de um show em outro palco prejudicou um pouco o início da apresentação, mas logo o foco foi retomado e foi um show legal, por ter sido bastante diferente dos outros dois que eu vi dele. Pela primeira vez, ele trouxe dois amigos para o palco para fazer umas versões full band das músicas do disco. Rolou “The Dreamer”, “King of Spain” e “There´s no leaving now”, com ele tocando um tecladinho. No final, a linda namorada dele (que é mais alta que ele) entrou no palco para o já tradicional dueto em “Thrown right at me”. Achei a seleção de músicas no final meio infeliz, apesar de “You´re going back” ter permitido o link com “By Your Side”, da Sade, que eu ainda não tinha visto ao vivo. Setlist aqui.

Fleet Foxes: Um dos shows mais esperados do festival. Ficamos no grade depois do show anterior para garantir a proximidade. Sucesso total, grande banda, belos cantores, um futuro brilhante pela frente. Um privilégio poder conferí-los ainda em estágio seminal. Destaques para “Grown Ocean” e “Ragged Wood”, furiosa, e “Helplessness Blues”. Podiam ter tocado bem mais tempo, mas havia um limite por causa do início do jogo do Barcelona (que eu nem fui ver, era no palco lá longe). Curti o moreno multi-instrumentalista, deve ter tocado uns nove instrumentos diferentes durante o show todo. Setlist.

Depois desses dois showzaços, descansamos um pouco. Sentamos nas escadas na frente do palco RayBan para conferir do se tratava o Einstürzende Neubaten, mas não agradou às minhas colegas de festival, o velho vocalista era meio CREEPY. Acabamos voltando pro palco San Miguel para garantir um lugar legal para o próximo show, que era dos bons.

PJ Harvey: Melhor do que eu esperava. Que mulher FODA, elegantérrima em seu vestido branco com penas presas no cabelo negríssimo. A banda dela é muito cancheira, só uns tiozinho tchuco. Baita show. Tocou todas as que eu gosto do bom disco novo e ainda várias antigas das mais pedidas. Destaques para “Big Exit” e “All and Everyone”. Setlist.

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Mogwai: É a terceira vez que vejo eles ao vivo (a primeira foi em 2002, no Rio), todos os shows bastante diferentes uns dos outros, mas esse foi especial. Palco gigante, uma massa hipnotizada, eles pareciam bastante empolgados. Recém tinham visto o jogo do Barcelona e parabenizaram os espanhóis pela vitória (o batera tava com a camisa do Barça). Excelente setlist, ajudado pelo fato de o último disco ser bom pra caralho. “Mogwai Fear Satan” pegou um galera com as calças na mão. Pessoalzinho batendo palma, de repente se cagaram nas calças.

Animal Collective: Sentamos para ver por dois minutos. Suficiente para decidir colocar a viola no saco e ir dormir.

E assim foi o último dia sediado no belo Parc Del Fórum, lugar mais do que ideal para um evento desse vulto.

Outros shows que queria, mas não consegui ver nem uma musiquinha sequer, por um motivo ou outro: Deerhunter, Shellac, James Blake, Battles, El Guincho e John Cale.

Domingo:

Depois de passar o dia deitado NU na areia de Sitges, tomei um banho de chuveiro ali mesmo e fui direto para garantir meu lugar na NOSEBLEED SECTION do show do Mercury Rev. Cheguei com duas horas de antecedência, para não ter erro, o que se mostrou bastante exagerado. Mas, em casos EXTREMOS como esse, precaução é o mínimo. Tive que suportar dois shows terríveis, My Teenage Stride e BMX Bandits (com o vocalista mais mala do mundo). Pelo menos tive a companhia do comparsa Rodrigo Levino para passar o tempo.

Mercury Rev: FODA DEMAIS. Um dos melhores discos dos anos 90 tocado de cabo a rabo, na ordem, com muito tesão e pegada extra. O vocalista transpirava uma empolgação contagiante, parecia uma FADA ALCOÓLATRA HIPERATIVA, ou o máximo que se pode chegar perto disso sem cruzar para o lado GAY da vida. Bebeu uma garrafa de vinho NO GARGALO durante do show. O setlist, igual a esse, fala sozinho. Peter Gabriel no final, mais a bela “Dark Is Rising” foi pra fechar com chave de ouro total o festival.

Até o início desse show, eu ainda estava fazendo os cálculos para distribuir os 170 euros investidos no ingresso para o festival entre as quase 20 bandas que eu conferi. Depois desse show, coloco todos os 170 no Mercury Rev e levo o resto de brinde. Show histórico para quem gosta da banda.

Para fechar a noite, hambúrguer pegado no Kiosco, para mostrar aos paulistanos como se fazer um burger bom, barato e de qualidade insuperável. Mas isso é assunto para outra hora.

Destaque negativo do festival: a total falha em funcionar dos cartões que se carregaria com euros e usaria para comprar bebidas e comidas. Fracasso gigante. Eu mesmo não gastei nada lá dentro, igualmente. Levei baguetes deliciosos de casa em todos os dias e não ingeri uma gota de álcool dentro do festival.

Destaque positivo: a pontualidade IRRITANTE e essencial no início de cada show.

PS: Aqui a cobertura mais profissional do Scream & Yell, daonde roubei a foto do Mercury Rev, feita pelo Marcelo Costa.

PS2: as outras fotos selecionadas dos shows, roubadas do Facebook da Pitchfork, foram clicadas pelos enviados especiais Shannon McClean e Morgan Levy. Mais fotos deles aqui.

He took too much

Essa semana rola em Barcelona o esperadíssimo Primavera Sound Festival. Peguei todo o programa, imprimi e marquei os shows que me interessam. Será uma semana em que estarei fatalmente cansado e estafado, é show demais, em 5 dias, em horários meio FDP pra quem tem que trabalhar. Pedi a sexta-feira livre, já que tenho um monte de dias de férias a mais do que a Chi.

Fora esses três dias, rolam duas noites especiais, com entrada limitada, dentro de Poble Espanyol. Há na quarta de noite um show do Echo & The Bunnymen tocando apenas os dois primeiros discos (Crocodiles e Heaven Up Here) e no domingo de noite Mercury Rev tocando Deserter´s Song na íntegra, o que fechará tudo com chave de ouro.

Os shows que espero mais: Fleet Foxes e Big Boi. É nóis. Nunca fui em festivais desse VULTO, mas esse lineup tava especial demais para ignorar.

Gracia

Aniversário da Rochelle na casa dela, fim de semana passado. Teve bolo e guaraná, muito doces pra você. Parabéns, Rochelle!

Poblespanyol

Numa sexta-feira, o Dario nos convidou para ver o show de um cliente dele, que rolaria dentro de Poble Espanyol. Poble Espanyol é um resumão arquitetônico dos povos da Espanha, em apenas um lugar. É um ponto turístico bastante procurado. Mas nunca quis pagar pra entrar. Dessa vez, entramos lá de noite, quando apenas alguns restaurantes estão abertos e não havia quase turistas dentro, o que nos permitiu caminhar livremente e apreciar aquele estranho lugar.

Valeu a pena, o show tava engraçado também, estilo Flight of The Conchords espanhol. Mas não lembro o nome do cara.

Güneş

Janta temática turca, com amiga turca que a Chi fez aleatoriamente outro dia. Eu preparei o hummus e o pita. O resto foi com elas. 😉

Faltou luz mas era dia

Quando o amigo Conan veio visitar Barcelona, ele me disse que a primeira coisa que notou quando entrou na minha casa é que a gente não tinha uma televisão. Bom, isso acaba de mudar. Depois de um ano inteiro sem assistir TV (fora Copa do Mundo e alguns jogos na casa de amigos), aproveitamos uma oferta de 25% de desconto da Pc City (que está fechando suas portas na Espanha) e adquirimos, online, uma TV de LCD Panasonic Viera de 32″. Com entrega em casa, saiu por 325 euros, o que eu considerei um valor imbatível. Depois de executar a compra, entrei de volta no site para ler melhor as especificações e não havia mais a televisão. Demos sorte, era exatamente o último modelo.

Quatro dias depois, a televisão chegou. A princípio, eu tinha pensado na TV apenas para assistir filmes e seriados em formato digital. A televisão, apesar de maior, acaba melhorando muito arquivos da internet. Um episódio de The Office, que tem 175 mega para 22 minutos, aparece na tela da TV com qualidade melhor do que qualquer canal que não seja HD. Bom, passeando pelas lojas de eletrônicos, eu tinha algumas alternativas de conexões:

1.Um aparelho de DVD que tivesse entrada USB para poder tocar os arquivos do computador. Isso sairia por uns 60 euros.

2.Comprar um cabo adaptador da Apple e um cabo de HDMI. Sairia por 43 euros e permitiria tocar qualquer coisa que aparece na tela do computador, incluindo jogos do Grêmio e todos filmes com legendas, como funcionam no computador.

3.Comprar uma torre de disco duro multimídia, que é conectada diretamente à televisão e tocar tudo que é tipo de arquivo digital. A opção mais cara e mais limitada sairia por uns 90 euros, no mínimo.

No fim, julgando que um aparelho de DVD não serve para muita coisa hoje em dia, acabamos comprando, por 39,90, um diminuto aparelho de TDT que tem entrada USB que lê a maioria dos arquivos de vídeo (com possibilidade de legenda), foto e música. E ainda tem saída HDMI, que eu queria bastante. Além dos 39,90, gastamos ainda 14 euros num cabo HDMI e 8 em um cabo normal de RF e, voilá, de repente, de adultos descolados que podiam dizer “Não tenho TV em casa e não me faz falta”, passamos a ter uma movimentada salinha de TV onde passaremos a, com certeza, ver muito mais filmes e também bastante esportes ao vivo, que era a coisa que mais me fazia falta. Caso eu ainda sinta falta de ligar o computador, é só comprar o cabo da Apple de 30 euros e ligar no HDMI.

Ontem, descobri que a TV aberta espanhola é tão interessante quando a NET de Porto Alegre. Tem uns 80 canais, os principais todos têm lindas transmissões em HD, vários dos canais de filmes têm tecla SAP e pode-se colocar legendas (em espanhol), o que é interessante pra Chi estudar o idioma, algo que ela vem tentando. Para estrear a TV, assisti ao bom jogo do Thomaz Bellucci contra o Djokovic, em HD (lindo). Com meus intensos treinos de ping pong no intervalo trabalho, é ainda mais legal apreciar uma boa partida de tênis. O brasileiro teve um momento em que parecia que estava garantido nas finais contra o Nadal: já tendo ganho primeiro set por 6 a 4, quebrou o saque do sérvio e ia levando o segundo set por 3 a 1. Aí, de repente, o Djokovic engatou uma seqüência avassaladora, quebrando totalmente a confiança do guri e não parou mais. Fechou o segundo set em 6 a 4 e o terceiro em 6 a 1, para decepção do bigode do Larri Passos. Um resultado que acabou sendo decepcionante , mas mostrou a força do canhoto brazuca, que hoje amanheceu em vigésimo segundo no ranking mundial (antes era o #33). Acompanharei mais esse tal de Thomaz Bellucci.

Na seqüência, rolou o jogo do Real Madrid, que acompanhei de canto, mas que realmente não me interessava tanto (já que não estava jogando contra o Barcelona). Boa vitória, porém, com gol de Kaká e 4 do agora artilheiro do espanhol Cristiano Ronaldo. Adiou o título do Barça.

Já para estrear as sessões cinematográficas, baixei a animação L’illusioniste, que concorreu ao Oscar de melhor animação. Belíssimos gráficos, especialmente no que diz respeito aos cenários, mostrando Paris, Dover, Londres, alguma cidade no interior da Escócia e Edinburgh. O filme em si tem um ritmo bastante lento, se comparado às animações de hoje em dia, mas é um alívio ver algo com cores tão sutis e reais, em 2D, praticamente um filme mudo, também. Classudo. Nota 9.0

Para alimentar o USB, conectei um velho HD externo de 110 Giga que eu tinha vazio no armário e voilá: é só encher de filmes e seriados e temos entretenimento instantâneo para todo o sempre. E, nesse mesmo HD externo, se conectado, posso gravar qualquer programa que esteja passando na TV. Ocupa 2GB por hora.

Também precisamos mudar bastante a geografia da casa. Agora, nosso quarto contém também o guarda-roupa, algo que não entendo por que não fizemos antes. Ficou mais com cara de quarto. Já a salinha que fica do lado do banheiro ganhou a TV, o que torna o ambiente mais útil e bem aproveitado. Tá com mais cara de casa. Só sobra menos espaço para os visitantes, quando vêm dormir, vão estar no sofá cama que usamos para assistir TV. Menos espaço para deixar malas, também, ou seja: quem vier visitar, não pode trazer muita bagagem. 😉

Year One

Hamburger no Kiosco (boa lanchonete) e depois aniversário do filho do colega Quim, no Parc de La Ciutadella. Um bom dia. Feliz aniversário, Pequeño!