Ravalejando

Algumas imagens das primeiras semanas morando no “bairro mais chinelo de Barcelona”, o Raval. Destaque para a excelente feijoada vegetariana que eu e a Chi preparamos. Não lembrava que eu gostava tanto de feijão preto. Comi por 3 dias seguidos, de tanto que fizemos. E nem fez falta o pé de porco, orelha de porco, bacon, salsichas e outras carnes que fazem parte da receitada da feijoada. Estava saborosa demais.

Também uma exposição legal do CCCB, formada por obras feitas com material reciclado.

O resto das fotos, aqui.

Saudosa Maloca

Depois de mais de dois anos de bons serviços prestados, deixamos o apartamento na Barceloneta. Fora os vizinho xaropes da janela oposta à nossa e o barulho de obra que insistiu em rolar o ano passado inteiro, nos serviu muito bem e deixará saudades. É uma era que termina, viver na beira da praia, poder descer em um minuto para uma nadada rápida ou mesmo dormir na areia.

Quando voltamos da Itália, tínhamos duas semanas para livrar-nos de tudo na casa, esvaziar e limpar o apê para entregar as chaves. Esse foi o primeiro anúncio para vendas de coisas. No fim, conseguimos vender quase tudo para duas ou três pessoas que recém entraram em apartamentos. Grande parte foi para uma colega de trabalho da Chi. A outra metade foi uma guria da LÁTVIA que recém tinha brigado com o namorado e se mudou para um apartamento sozinha, ali na Barceloneta. Ela comprou as estantes, primeiro. Eu me ofereci para ajudar a levar, o que foi essencial, ela não conseguiria levar sozinha. Mas foi FODA, além dos quatro andares para descer do nosso apê, o dela também eram quatro andares. E, como todo apartamento da Barceloneta, sem elevador. No fim, muitas coisas que não vendemos, acabamos dando de presente para ela, que nos agradeceu com uma boa janta na sua nova casa.

Algumas coisas, como o armário branco grande, coloquei à venda a preço simbólico, apenas para que alguém viesse e ajudasse a levar escada abaixo. Algumas coisas coloquei diretamente na rua e foram recolhidas rapidamente pelos que passavam.

E assim foi, depois da pressão de ter que tirar tudo fora, dar tchau aos nossos bons vizinhos e seus novo filhinho Marc, nos mudamos da Barceloneta para o Raval. Apenas com quatro malas grandes, umas cinco bolsas de bobagens e a televisão, que ainda não conseguimos vender.

O apartamento novo é excelente, apesar da localização um pouco palha. Sempre tem uns suspeitos ali pela esquina. Mas tudo bem.

Aqui o resto das fotos.

E um vídeo bobo feito nos últimos dias antes de sair.

When they said “Repent”, I don’t know what they meant

Eu já tinha perdido a chance de ver dois shows do Leonard Cohen. Estava para perder a terceira. Sempre mesma desculpa: além de um pouco caro, é aquele show em arena, todo mundo sentado, assistindo ao show pelo telão (a não ser que tu pague um valor relativamente alto e consiga comprar a tempo alguma das cadeiras que ficam pertinho do palco).

Pois dois dias antes desse show em Barcelona, resolvi dar uma olhada na página do show no Last.fm e vi uma oferta de duas entradas em um lugar não tão longe por quase metade do preço. E resolvi comprar, de aniversário pra Chi, que não vai estar comigo no dia do aniversário dela, 4 de dezembro. Era um grupo de 6 amigos que iam ao show, mas duas pessoas não chegaram a tempo e eles venderam por barato, afinal, não tinha lotado. O cara que me passou os ingressos, assistimos ao show todos juntos, tem uma das profissões mais peculiares que já ouvi falar ao vivo: técnico de câmeras de segurança de um presídio.

Enfim, voltando ao show, foi legal, mas foi aquilo que eu esperava: arena. Deu até pra tirar uns cochilos em alguns momentos, cansadão que eu tava. Mas teve momento belíssimos, o show. Destacaria “Bird on a Wire”, em versão blueseira, “Who By Fire” em versão guitarra espanhola (um dos guitarristas dele é catalão) e “The Partisan”.

A banda dele realmente é muito boa, mas os solos de violino ficaram meio xaropes e repetitivos ainda na primeira parte do show. Mas respeitei demais o velho Leo, 78 anos, 30 músicas, esbanjando vitalidade (e o vozeirão de sempre). Entrava e saía do palco literalmente saltitando.

Dois dias depois, de quebra, ainda vimos o show do Tallest Man On Earth, que foi no Casino del Poblenou, um dos melhores lugares de Barcelona para shows intimistas. Já foi o quarto show dele que vi, então não empolgou MUITO. Mas foi legal, teve muitas coisas diferentes dos anteriores, incluindo uma versão no piano para “The Dreamer”.

Isola di Procida

No dia anterior, o tempo não estava dos melhores, aproveitamos o quarto silencioso, dormimos demais e acabamos desistindo do plano de ir cedo para Procida, uma das três (Capri, Ischia são as outras) ilhas que ficam na costa de Napoli. A decisão por visitar Procida foi quase exclusivamente romântica: é a ilha onde filmaram algumas cenas do belíssimo filme Il Postino, cuja linda trilha sonora, composta pelo argentino Luis E. Bacalov, escutamos no mínimo semanalmente. Outro filme que foi filmado na ilha é O Talentoso Mr. Ripley.

No último dia de toda viagem, conseguimos enfim pegar o barco, mesmo que com uma hora de atraso, para Procida.

A verdade é que, depois de sentar num restaurante e ter a vista para o mar, lamentamos demais não ter passado no mínimo duas noites na tranqüila ilha. Mas valeu a pena, conseguimos tomar banho em duas prainhas.

Dali, pegamos o barco das 18:00 de volta a Napoli e dali direto pro apê, banho, aeroporto e avião para aproveitar os últimos 3 meses de Barcelona.

PS: Esse post é dedicado ao querido Massimo Troisi, que morreu de um ataque do coração, 12 horas depois de filmar “O Carteiro e o Poeta”. Ele havia adiado uma cirurgia para poder terminar o filme.

O resto da galeria, aqui.

I remember the backstreets of Naples

Depois de sofrer por uma hora no trânsito entre Napoli e Pompeii, conseguimos devolver o carro no escritório correspondente. Napoli: PIOR cidade para dirigir, pelo pouco que pude provar. Ainda acabamos nos ralando por causa de mudanças indevidas no contrato de aluguel do carro, em Bari, e nos deram como se tivéssemos devolvido atrasado (o que não era verdade). No fim das contas, uma cobrança extra de 125 euros no meu cartão, pela qual estou recorrendo no momento e me devem responder em umas duas semanas. Tudo culpa do funcionário FDP negligente de Bari.

Dali, sem conhecer nada da geografia da cidade, tivemos uma dura caminhada até o local onde ficaríamos (quando poderíamos ter entrado no funicular tranquilamente). Napoli é muito curiosa, há a rua onde ficamos, Corso Vitorio Emanuelle, que faz circunda a parte antiga da cidade. De lá de cima, há escadarias bastante íngremes, escuras e suspeitas que levam até o centrão da cidade. Como já estávamos cagados de tanta gente dizendo que a cidade é superperigosa, acabei saindo sem a câmera um par de vezes, o que me impediu de tirar algumas das que seriam as melhores fotos de Napoli.

Como hospedagem, finalmente tivemos algo bem feito, que foi o AirBnb. Pegamos um quarto numa bela zona, num apartamento muito bem cuidado, antigo, onde tivemos muito descanso e silêncio. Tanto silêncio que acordamos muito tarde no primeiro dia. O dono do apê não estava, quem nos recebeu foi o colega dele, que acabou ficando fora grande parte do tempo. Perfeito. Aqui a página do lugar, se alguém quiser ir lá. Eu tava de cara com todos gastos desmedidos da viagem e com a merda que rolou com o aluguel do carro (NUNCA aluguem da MAGGIORE), cheguei a esse apartamento e finalmente consegui colocar os pensamentos em ordem.

E de comida, tivemos algumas boas experiências. A mais digna de nota foi a ida à Pizzeria Da Michele que é a suposta melhor pizzaria de Napoli, cheia de selos de qualidade e menções nos melhores guias do mundo. Pegamos o número 91 na ordem de chegada e o número 31 ainda estava sendo chamado. Demorou apenas uma hora e meia até eu ter uma pizza margherita com mozzarela dupla na minha frente, acompanhada de uma garrafinha de Fanta Laranja. A conta toda deu 15 euros, com gorjeta. Se a pizza é a melhor do mundo, eu não posso garantir. Mas é excelente e o fato de eles não aumentarem o preço é notável, dado o tamanho do lugar e a demanda monstruosa. E o detalhe: eles só produzem DOIS sabores de pizza, Marinara e Margherita. Dorme com essa, Nono Ludovico!

A galeria completa, aqui.

PS: em nenhum outro lugar no mundo, obviamente, teriam gostado tanto da minha camiseta do Napoli. Muitos pararam para olhar e perguntar de onde vinha. Até no aeroporto, todos da segurança vieram ver, chamaram outros. Poderia ter passado com uma mala cheia de cocaína, ninguém tava olhando o raio-x. Num restaurante, chamaram o chef para sair e ver. Sucesso total.

PS2: a resposta eu nem sei ao certo, mas acho que foi minha tia Vera que comprou essa camisa na Argentina, lá por 1990. Pirata.