Noronha on the cheap

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-=-=-=- Quebrando um pouco com o ritmo de ultimamente (muita foto e pouco texto), abro espaço para uma espécie de guia para aqueles que nunca foram a Fernando de Noronha -=-=-=-

Muita gente pensa em Fernando de Noronha como um lugar apenas para lua de mel, muito caro, etc. Mas, na verdade, vou provar que dá pra fazer tranquilamente por mais barato do que muitos destinos por aí. Gastamos 1000 reais por cabeça em 5 dias (sem contar passagens, por que usamos milhas – Noronha é paraíso das milhas):

*600 reais em taxas ecológicas – 446 da TPA, por 5 dias (que, dizem, não é em nada investida na Ilha). 200 da taxa nova, essa do Eike Batista, que construiu passarelas, chuveiros e melhor acesso às praias. Sem pagá-la, tu não entra no Sueste, no Sancho, no passeio de Barco e, futuramente, na Praia do Leão. Ou seja: nos melhores lugares da ilha, se tu não for surfista. Pagamos 65 reais a mais por que a Chi é gringa.

*900 reais em acomodação – Quem diria que, ao ficar na casa de um legítimo gringo, teríamos a experiência de local em Noronha? Pagamos 30 reais a mais por dia por que pegamos pelo Booking.com, se tivéssemos ligado diretamente para o George, seriam apenas 150 reais por dia, quarto de casal, com banheiro privativo, ar condicionado e geladeira. Ainda há uma cama de solteiro, para uma criança. E uma cozinha pequena para preparar um café da manhã ou janta. Acho que a maioria das pousadas servem café da manhã, mas cobram no mínimo 250 reais por dia e tem gente que acha normal pagar 500 a diária. Ah, pros hóspedes que se comportam, é possível que o George suba na árvore para catar um côco e servir uma água fresquinha. Ficar na casa dele foi como ficar na casa de um amigo.

Contato direto com o George, para marcar o quarto: 81 990371-58 ou 81 8749-3208

*300 reais – Passeio de barco para dois, incluindo observação de golfinhos e parada de uma hora para mergulho na praia do Sancho, em cima de um coral com muitos peixes e inclusive uma tartarugona. Ali também servem um almoço bem caprichado. Eu passei um pouco mal depois do mergulho e só consegui comer deitado, de olhos fechados, com a Chi servindo peixe na minha boca. Fora o passeio de barco e a comida, inclui ainda, num outro barco, um passeio com umas pranchinhas chamadas Sub. Eles te rebocam e tu vai manejando a prancha, com a possibilidade de mergulhar até cinco metros. É divertido, mas no lugar onde nos levaram a única coisa que tem pra ver é o barco grego encalhado. Só vi uma arraia. Ah, o capitão do catamarã é o Chico, filho adotivo do George.

*140 em três jantas para dois – Na real, gastamos 80 num camarão com alho e óleo no Restaurante da Edilma que tava bom, mas acho que não escolhemos o prato certo: meu camarão alho e óleo é difícil de bater. Da próxima vez, quero pedir o peixe fresco feito na folha de bananeira. Mas tem que pedir com antecipação.

Há muitos restaurantes que cobram no mínimo 50 reais por cabeça por qualquer comida, mas acho que comida não é exatamente o atrativo da ilha. Melhor deixar isso para outras partes do nordeste. Uma tigela de açaí pode chegar a 18 reais, por exemplo. Uma tapioca, a coisa mais banal do mundo, pode chegar a 12. Melhor deixar esse tipo de coisa para o continente.

Se der preguiça de preparar comida, o que eu recomendo mesmo é o xis do Restaurante Ousadia, que fica na frente da Praça Flamboyant. Entre 6 e 12 reais, um xis bem bacana, caprichado. A Chi pegou um Xis Burger de 8 reais e gostou muito, eu peguei o Xis Calabresa e tava excelente, a 10 reais. Completando com uma batata frita (um pouco cara, 13 reais). E o buffet de sorvete deles é gostoso e barato, 34/kg, preço melhor do que em Imbé. Por 35 reais, total, dá um bom tapa-buraco noturno para dois. Uma das opções mais honestas do local.

*100 reais de supermercado – Nas outras duas jantas (massa com molho de tomate, abóbora e parmesão) e em todos cafés da manhã (bauru e iogurte), comemos na pousada mesmo. Boa opção, trocaria o camarão alho óleo por outro prato daquela massa que a Chi preparou. Nesses 100 reais também entram umas bobagens comidas na rua, tipo empadas, barrinhas de cereal e etc, pra enganar o estômago durante o dia.

Recomendo levar umas barras de cereal na mochila, na Ilha tudo é caro demais, o pessoal que leva suplementos pra ilha explora demais os turistas (e os locais). Pra ter uma ideia, se um cara quiser levar uma moto pra ilha, tem que pagar uma taxa de 15 mil reais. Isso um local me falou. Imagina a extorsão. Dizem que uma carga de tijolos que custaria 400 reais no continente, chega à ilha custando uns 2500 reais. Por isso que as casas dos locais são bastante pobrezinhas. Imagina o sufoco para fazer uma reforma.

Quanto ao transporte, o ônibus que roda a BR-363, a mais curta BR do Brasil, com 7 km, custa 3 reais e serve muito bem. Claro que a caminhadinha para chegar em praias como Sancho e Leão é puxada, mas sempre dá pra contar com a boa vontade do pessoal endinheirado que aluga buggys. O aluguel de um buggy fica por 150 reais a diária, 120 se der sorte, 100 se tu alugar diretamente de um local, um buggy deles mesmo. Tá carinho, se tu pensar que um buggy velho daqueles deve custar uns 2000 reais. Mas até tá barato se tu considerar que a licença pra ter um carro vale 70 mil reais. E que não se pode colocar mais carros na ilha, só pode trocar a licença de um velho para um novo. Mas enfim, o que importa é que o bus da ilha serve, para quem não quer gastar muito.

-=-=-

No que toca a programação, da outra vez eu tinha ficado 7 noites, dessa vez fiquei 5 noites e ainda assim achei tempo demais. 4 noites é o ideal.

Dia 1 – O voo da gol chega na ilha às 16:30. 17 horas tu tá na pousada, dá tempo de descer pra Praia do Cachorro pra ver o belíssimo pôr-do-sol.

Dia 2 – Dá pra dedicar uma tarde inteira à praia do Sancho, que é considerada a quarta praia mais bonita do mundo. Pegar a sombra de uma bananeira e relaxar, dormir, ler, nadar até o coral.

Dia 3 – Passeio de barco, mencionado ali em cima.

Dia 4 – Ida à Baía do Sueste para procurar as tartarugas. Para nadar na parte dos corais, onde se encontram algumas tartarugas, é obrigatório o uso de coletes, que podem ser alugados por módicos 5 reais. A dica: nadar em direção à pequena faixa de areia, em uma linha reta. Uns bons metros antes de chegar lá, onde umas ondas estão sempre quebrando, encontramos, além de arraias e lagostas, uma turma de sete tartarugas marinhas, entre grandes e menores. Passamos uns bons quarenta minutos nadando com elas, de vez em quando quase topando com uma, quando se presta atenção à outra. Melhor coisa é vê-las subindo para pegar ar, ouvir a respiração delas. Maravilha de bicho.

Ah, não esqueça de observar, na beirinha da praia, os filhotinhos de tubarão-limão rondando. Em certo momento, havia uns dez cercando a gente. Mas não tem problema nenhum, eles nunca atacaram ali, estão bem alimentados pelo equilibradíssimo ecossistema da ilha. Na real, primeira vez que vi tubarão de pertinho, primeira vez que comi tubarão (tubalhau, bolinho de tubarão na Edilma, bem bom, indicação do padre da ilha).

Uma dica esperta: uma fatia de torta pode soar caro a 8 reais, mas a torta de Prestígio que tavam vendendo no barzinho do Sueste vale a pena, é boa e muito bem servida. Mandou bem, Eike Batista!

Cansado de ver tartarugas, é só sair do Sueste e pegar a estradinha para a esquerda. Em 15 minutos caminhando numa estrada de barro seco (com sorte ganhas uma carona), chegas à Praia do Leão, que foi, pra mim, a mais gostosa de todas. Ficamos ali deitados, na frente da pedra que realmente parece um leão marinho, até começar a chover. Pena que não rolam peixinhos nem nada. A única coisa que se pode ver são os ninhos de tartaruga, com as marcas das patas delas na areia.

Dia 5 – Como o voo só é às 16:30, dá tempo de acordar tarde, deixar as malas pelas 12 horas no aeroporto e caminhar 15 minutos até a Baía de Sueste, para dar um abraço de despedida nas tartarugas.

Nós tivemos um dia a mais do que isso e acabou sendo um pouco inútil: batemos cabeça na Praia da Conceição, com mares muito fortes, depois quase quebrei a perna na Praia do Meio e tomei um caixote na Praia do Cachorro. Acabei voltando pro Sueste, mesmo, pra observar os atobás pescando. Coisa linda aquele bicho.

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Para terminar, umas palavras a mais sobre o tal do George Gringo, onde ficamos. Gente finíssima, contou cada história. Não chegamos nem a provar as palestras do Ibama. Primeiro por que a Chi ia ter dificuldade em entender (não lembro se tinham legendas). Segundo, por que as histórias do George com certeza são melhores. Passamos uma noite inteira escutando histórias sobre golfinhos, curandeiros, veleiros, etc.

Ele é um escocês de 64 anos, criado em Liverpool (sotaque igual ao do George Harrison), que morou por alguns anos na Andaluzía e acabou comprando um veleiro lá, de onde partiu, navegando o mundo todo. Acabou em Fernando de Noronha, onde mora há 24 anos. Por 10 anos trabalhou na ilha como guia de nado com golfinhos, prática que é considerada uma das mais eficazes no tratamento da depressão. Acho que foi em 1999 que entrou uma lei proibindo o nado com cetáceos em todo território brasileiro. Não é meu objetivo contar toda a história da vida dele, mas vale a pena escutar da boca do próprio. Grande contador de histórias, grande ator e um cara de bom coração. Uma figuraça que vale a viagem. Também conhecemos um dos filhos dele, de 4 anos, Margeo. Bom guri.

Depois de ter passado por lugares como Menorca e Formentera, estava com um pé atrás sobre Noronha. Especialmente do que a Chi acharia da ilha. Mas eu estava bastante enganado: a abundância da natureza preservada faz toda a diferença em Noronha. E é Brasil, não é Espanha. Para o bem e para o mal.

O resto das fotos, aqui.

2 comentários sobre “Noronha on the cheap

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