Marcena Pt. 1 – Chegada

Então chegamos ao ponto no mapa que apontava Marcena, Comune di Rumo, ainda parte de Trento. Como toda região, um belíssimo lugar, cercado de montanhas com neve no topo.

A caminho de Marcena, eu vinha falando “Ah, pode ser que a gente encontre alguém, mas é mais provável que visitemos a cidade e pronto, tá visto, sem drama”. Segundo o Wikipedia, a Comune di Rumo está a quase mil metros de altitude e tem 857 habitantes espalhados pelos seus 30km quadrados. Minha esperança de encontrar parentes de verdade era pouca.

Paramos na placa na entrada da cidade que descrevia todos os estabelecimentos comerciais da vila. Fui procurando atentamente até achar: Alimentari Fanti. Aí o coração começou a bater mais forte.

Logo entramos mais, avistamos a tal igreja San Paolo, que estava como local de registro do nascimento dos antepassados, em documento assinado por Parroco Don Dario Cologna, depois reconhecido como um bom padre da comunidade, que estava sempre respondendo cartas vindas do mundo inteiro de gente em busca de raízes.

Bom, exatamente na frente da igreja não tinha lugar para estacionar, então descemos um pouquinho e estacionamos na frente de uma casa onde se via a única pessoa na rua naquele domingo de Páscoa. Depois de tirar a foto com a igreja ao fundo, observei o campo de futebol, fui perguntar se aquele homem sabia onde ficava o tal “Alimentari Fanti”, que devia ser um mercado.

Ele disse que não tinha certeza, mas que ali naquela vila havia muitos Fanti, que ele mesmo era um Fanti. Eu não levei a sério o que ele falou, até ele repetir umas duas vezes. Então mostrei pra ele a árvore genealógica da família, na qual ele localizou o nome do NONO dele, Albino Fanti. Ou seja, esse cara com quem eu estava falando, Lorenzo Fanti, seria como um primo distante, da mesma geração do meu vô, porém muitos anos mais novo. E os filhos dele, Martino e Marina, seriam meus tios pequenos.

E aí surgiu a certeza de que éramos, sim, parentes, mesmo que distantes. Muitas vezes nem damos tanta importância para parentes que não são diretos. Mas numa situação dessas, um parente distante é como se fosse um tio que tu nunca conheceu.

E aí apareceu a mãe dele na janela, convidaram para entrar, comemos um delicioso tiramisu e tomamos um café, conversando sem parar (numa digna tentativa de italiano, ajudado por português, espanhol, alemão e talian). Se fosse cena de um filme, diriam que faltou drama, que foi fácil demais.

Amanhã segue a história.

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6 comentários sobre “Marcena Pt. 1 – Chegada

  1. Que massa demais, isso. E que bom que foram cordiais e te receberam. Já ouvi histórias de quem quis percorrer esse mesmo caminho e se deu um tanto mal. Acho que depende do contexto de partida de cada família para outro destino.

    • é verdade, os caras foram parceiros. eles também queriam ter cópia da árvore genealógica, deixei a cópia dos docs com eles, também passei umas fotos antigas da família no brasil. tudo em paz, perguntaram se já tinha comido, se ia passar a noite ali, etc. enfim, a partir do momento em que se estabeleceu que era família de fato, as portas se abriram completamente.

  2. Pingback: Famiglia | Bruno Galera

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